Pracinha Albino César

Breve Historia do Pracinha Albino César - Patrono da Escola Estadual Albino César
escola Estadual Albino César - SP


Albino César, o pracinha morto em Monte Castelo, tem uma história simples e comovedora. É a vida laboriosa de uma criatura de ânimo jovial e comunicativo, prematuramente ceifada pela hediondez da guerra, sacrificada em holocausto à Pátria e ao ideal democrático.
O patrono da Escola Estadual Albino César nasceu em uma família de imigrantes portugueses, gente modesta mas de grande espírito de luta e amor ao trabalho.

Os pais de Albino César, Antonio Manoel Vicente e Perpétua dos Anjos Vicente, eram originários da província portuguesa de Traz os Montes e vieram de Carviçais para o Brasil em 1913. Traziam consigo dois filhos, Antônio Reis Vicente e José Francisco Vicente. No Brasil, tiveram a prole aumentada com o nascimento de Augusto Vicente e Albino César que por um lapso inexplicável deixou de receber o sobrenome familiar.


Placa Comemorativa

Albino César nasceu a 10 de Dezembro de 1916, na casa nr.158 da Rua Canindé, nesta Capital. Sua infância foi como a de tantos outros meninos de seu tempo, decorrida entre os estudos do curso primário, os folguedos infantis e o pequeno auxílio que prestava aos pais, vendedores de leite.

Albino César , cuja família muda-se em 1919 para o bairro de Tucuruvi, onde adquirira um terreno  na Vila Ladário sito à Rua Borges, viveu sempre nesse bairro. Freqüentou o Grupo Escolar de Tucuruvi, onde se diplomou em 1929.  Começou a trabalhar a trabalhar como auxiliar de padaria. Moço ativo e trabalhador, mas sem possibilidades de estudar, dadas as dificuldades da época, aprendeu o ofício de carpinteiro e foi então admitido como empregado nas oficinas da Light. Foi convocado para fazer parte da Força Expedicionária Brasileira ainda  quando pertencia ao quadro de funcionários da Light.

Ao lado do rude mister, dando vazão ao seu natural pendão artístico, dedicava-se à música, tocando vários instrumentos tende preferência por Pistão e Clarinete. Tornou-se figura popular no bairro, já que fazia parte da Banda Musical Luso-brasileira da Parada-Inglesa, sendo sua presença reclamada em quase todas as festinhas de aniversários e bailes.

O ano de 1943 veio modificar completamente a vida até então calma e prazerosa de Albino César; a guerra, que já sacudira a Europa estendera-se ao Brasil e cuidava-se de arregimentar as forças que garantiram nossa Pátria a conservação de seu passado de glória e a perseverança no porvir.

Em 23 de fevereiro de 1943,  Albino César é convocado para a FEB e depois de um estágio de quatro meses em São Vicente é enviado a Caçapava-SP, onde se integra no 6º RI. A experiência militar que possuía provinha de sua estada no 5º RI de Quitaúna, onde se via em 1937 e a decorrente do conhecimento adquirido quando tomara parte das manobras do Vale do Paraíba em 1939. A 09 de Agosto de 1943, a Portaria Ministerial nº47/44, estabelece as normas gerais de estruturação da 1ª DIE e entre os elementos constitutivos da infantaria aparece o 6º RI de Caçapava-SP. Albino César faria, portanto, parte da primeira plêiade de brasileiros que pisaria o solo italiano, em defesa da Pátria.

O treinamento em Caçapava fora intensivo e em 15 de fevereiro de 1944 foi determinada a transferência do 6º RI para a Vila Militar, nas Laranjeiras-RJ. O deslocamento do seu regimento vais se dar na 2ª quinzena de Fevereiro e inicia-se, então, já no Rio, um segundo período de preparação para os futuros embates.

Na tarde de 31 de março daquele ano, a infantaria da 1ª DIE, sob o comando do General Zenóbio da Costa desfila pelas avenidas cariocas, entre os pracinhas que assim saudavam a Nação, estava Albino César, que não mais tornaria a ver sua cidade, o seu bairro e a sua gente,

A partida do 1º escalão de embarque foi cercada de indispensável sigilo, só bem mais tarde se soube que nos dias 29 e 30 de junho e 1º de julho, se deu o embarque e que o "General Mann", transporte de guerra americano, levaria para a Itália o 1º contingente brasileiro.

A viagem do navio que transportava Albino César e seus companheiros foi naturalmente numa travessia perigosa, embora decorresse sem incidentes especiais. Uma escolta de destróieres brasileiros e belonaves de combate americanas acompanhou o "General Mann" até Gibraltar e aí foi substituída por outra de navios americanos e ingleses e complementado por constante cobertura aérea.

Durante 14 dias viajou Albino César, em meio a exercícios de alarmes para abandonar o navio sofrendo as conseqüências do necessário black-out do navio.

O General Mascarenhas de Morais, referindo-se às noites da travessia assim as qualifica: "desagradáveis, insuportáveis mesmo eram essas noites, quentes infindáveis, vividas em compartimentos abafados e lotados até o teto".

......

A 16 de julho de 1944 ao fim da travessia e a silhueta do Vesúvio ao longe indicou a Albino César o destino do escalão: atingira-se Nápoles. O primeiro contingente expedicionário desembarcou e dirigiu-se para as proximidades do subúrbio napolitano de Bagnoli, onde se situava o estacionamento de Agnano.

A primeira noite passada na Itália por Albino César e seus companheiros foi horrível. O estacionamento não fora preparado para receber a tropa, não havendo cozinhas nem barracas, tendo sido necessário bivacar, comendo-se ração americana de reserva tipo C, e suportar rigores de uma temperatura terrivelmente baixa. A situação normaliza-se logo, porém, e já em 19 de julho de 1944, tem nossos pracinhas o orgulho de ver hasteado, pela primeira vez em território europeu, por tropas brasileiras em missão de guerra, a Bandeira Nacional.

Albino escreve a primeira carta a seus familiares e a 23 de julho remete-as, aproveitando o primeiro transporte de malas do correio para o Brasil.

A 05 de Agosto vai se dar a incorporação da FEB ao V Exercito Americano chefiada pelo tenente-general Mark-Clark e inicia-se o período final de instrução da Itália. 

A 10 de Setembro de 1944 realizasse finalmente o grande exercito do grupo tático, que representa o término do período de instrução. A tropa é declarada apta: é o "Batismo de Fogo que se aproxima e é indescritível a exultação patriótica que então empolga o acampamento dos brasileiros".

Albino César faz parte do Batalhão major Silvino C. Nóbrega - III / 6º RI, atualmente Regimento Ipiranga.

Acompanhando os movimentos gerais da tropa brasileira - III / 6º RI acham-se empenhados (04 a 09/11/1944) na roçada para Vale do Reno e se dirige para a área de Marano, entrando em linha na noite de 5 para 6 de Novembro de Affrico Volpara.

Aproximou-se o período de maior trabalho da FEB. Decide-se um ataque a Monte castelo e a montagem e o comando da operação são confiados a um Grupamento Tático da 45 DI Americana - Task Force 45 - sendo-lhe dado temporariamente como reforço algumas tropas, entre as quais a do III / 6º RI.

Planejava-se um ataque às posições alemãs da área de Monte Castelo-Abetara e inicia-se a ação a 24 de Novembro de 1944.

Albino César desempenhava as funções de "esclarecedor". Estava entre os soldados da vanguarda que verificavam as possibilidades das investidas. O pracinha partiu e não voltou, foi a imolação de um brasileiro para a salvação de muitos outros.

Monte castelo não caiu desta vez, nem na tentativa do dia imediato, mas os brasileiros ganhavam a experiência que lhes possibilitaria, pouco tempo depois, 21/02/45, a grande vitória e a captura definitiva daquilo que se tornara o legendário Monte Castelo. Sumidouro de centenas de vidas patrícias, cuja captura pelas nossas forças constituiu um dever de consciência e um imperativo de dignidade militar. Assinalou uma série de vitórias esplendidas para nossas armas, vitórias que elevaram o nome do Brasil e o prestígio de nosso Exercito.

Albino César não morrera em vão e o seu corpo que permanecera insepulto na neve durante 30 dias, foi em seguida formar ao lado dos outros 442 companheiros, lembrando a contribuição do generoso sangue para a causa da liberdade. A Noticio da morte de Albino César chegou extra-oficialmente aos seus amigos e familiares e a confirmação se fez em seguida. Os irmãos de Albino, estranhando o fato que a correspondência até então assídua silenciava a partir de 20 de Novembro dirigiram se ao Ministério da guerra, solicitando informações a seu respeito. O telegrama oficial de resposta confirmava os maus presságios: falecera o pracinha em combate em Monte castelo, sendo o seu corpo encontrado no meio da neve, 30 dias depois de sua morte.

Finda a guerra regressa a FEB e os familiares de Albino César recebem, trazidos por companheiros, algumas cousas que o pracinha, soldado 3137 do 6º RI levava consigo - fotografias de parentes, algumas moedas italianas e Cr$ 2,80. Posteriormente receberam ainda alguns documentos e três medalhas, a saber:

Medalha de Campanha - concedida aos militares da FEB que tomaram parte na Campanha da Itália, sem nota que os desabonassem;

Cruz de Combate de 2ª Classe - concedida para premiar os que participaram de feitos excepcionais praticados em conjunto por vários militares, na execução de missões de combate;

  1. Medalha de Sangue - concedida ao feridos em combate ou parentes dos que tombaram. É uma medalha belíssima em que aparece, em um escudo, uma estrela de esmalte rubro, lembrando o sangue derramado pela Pátria.

A Light ofereceu também um diploma à família, como preito ao funcionário morto.

As homenagens a Albino César sucediam-se: Inaugurava-se uma Rua com seu nome, promovia-se desfile em sua memória, mas tudo que se fazia parecia muito pouco para consolar os velhos pais, profundamente abatidos pela morte do filho bem-amado. A par das homenagens póstumas, nenhuma compensação material, nem mesmo uma pensão receberam eles, mas isto também pouco representaria, pois sentia-se que havia necessidade de algo mais expressivo que perpetuasse o nome do herói morto. E isso aconteceu no dia 07/07/1952, quando o Governo do Estado de São Paulo promulgou a Lei que dava ao Ginásio Estadual Tucuruvi, criado em 06/07/1951, o nome do Ginásio Estadual Albino César, e tão significativo ato foi o maior consolo que poderia receber sua mãe, Dna. Perpétua dos Anjos Vicente, poucos dias antes de sua morte. Com essa Resolução Governamental, um facho de luz se abrira para os jovens do bairro que Albino César tanto amara, e ligava-se o seu a esse grande acontecimento. Jamais olvidado o pracinha que morrera pela Pátria.    Traços Biográficos
Pracinha Albino César, soldado 3137 do 6º RI
10/12/16 nascimento local: Rua Canindé, casa nr.158 São Paulo Capital mudou-se em 1919 para o bairro Tucuruvi Vila Ladário Rua Borges onde cresceu estudou no Grupo Escolar Tucuruvi até 1929 quando se diplomou profissão: auxiliar de padaria, carpinteiro e funcionário da Light
participou da Banda Musical Luso-brasileira da Parada-Inglesa  tocava: Pistão e Clarinete

  • 1937/ 39 serviço militar na 5º RI Quitaúna
  • 23/02/43 convocação pela FEB - estagio  de 6 meses em S.Vicente-Santos-SP, 6º RI Caçapava
  • 09/08/43 Portaria Ministerial nº47/44
  • 15/02/44 transferido para 6º RI Laranjeiras
  • 31/03/44 desfila na 1ª DIE Infantaria sob comando do General Zenóbio da Costa
  • 01/07/44 embarque na belonace americana General Mann até Gibraltar
  • 16/07/44 chegada a Nápoles - Subúrbio Bagnoli - Estacionamento Agnano
  • 19/07/44 1º hasteamento Bandeira Nacional em território europeu por tropas brasileiras em missão de guerra
  • 23/07/44 remessa da cartas à família
  • 05/08/44 III-6º RI Batalhão major Silvino C. Nóbrega, é incorporado pelo V exercito americano chefiado por Mark-clark
  • 10/09/44 fim do treinamento Batismo de Fogo
  • 04 a 09/11/1944 encontra-se na roçada para Vale do Reno e se dirige para a área de Marano,
  • 05 a 06/11/44 entrando em linha na noite em Affrico Volpara, o Grupamento Tático da 45 DI Americana - Task Force 45 - teve o reforço algumas tropas, entre as quais a do III / 6º RI.
  • Os irmãos de Albino, estranharam o fato que a correspondência até então assídua silenciava a partir de 20/11/44
  • 24/11/44 inicia-se o ataque às posições alemãs da área de Monte Castelo-Abetara, Albino César entre os soldados da vanguarda partiu e não voltou assim como outros 442 pracinhas.
  • 21/02/45, a grande vitória e a captura definitiva daquilo que se tornara o legendário Monte Castelo.
  • Os familiares de Albino César recebem, trazidos por companheiros, algumas cousas que o pracinha, soldado 3137 do 6º RI levava consigo - fotografias de parentes, algumas moedas italianas e Cr$ 2,80. Posteriormente receberam ainda alguns documentos e três medalhas, a saber:
  1. Medalha de Campanha - concedida aos militares da FEB que tomaram parte na Campanha da Itália, sem nota que os desabonassem;
  2. Cruz de Combate de 2ª Classe - concedida para premiar os que participaram de feitos excepcionais praticados em conjunto por vários militares, na execução de missões de combate;
  3. Medalha de Sangue - concedida ao feridos em combate ou parentes dos que tombaram. É uma medalha belíssima em que aparece, em um escudo, uma estrela de esmalte rubro, lembrando o sangue derramado pela Pátria.
A Light ofereceu também um diploma à família, como preito ao funcionário morto.

As homenagens a Albino César sucediam-se:

  • Inaugurava-se uma Rua com seu nome,
  • promovia-se desfile em sua memória.
07/07/1952 Governo do Estado de São Paulo promulgou a Lei que dava ao Ginásio Estadual Tucuruvi, criado em 06/07/1951, o nome do Ginásio Estadual Albino César,

 

O Texto acima foi elaborado pelos alunos do 1º A da Escola Estadual Albino César a seguir, extraído do Arquivo Biográfico e Fotográfico pertencente ao acervo da escola,:
Alex Romanosk Ribeiro nr.01
Jose Eduardo Fridisemn nr.19
Fabiana Silva nr.22
Rodrigo Barbosa Tavarez nr.34
Marco Antonio Ferreira nr.23
Rodrigo Santos nr.35

Pessoal que pesquisou sobre o Soldado Albino Cesar