Sou do interior do Rio Grande do Sul, de uma cidade não muito
pequena (mas também não muito grande...) chamada Bagé
(para quem acha que já ouviu falar dela, é a terra do “Analista
de Bagé”, personagem do grande Luis Fernando Veríssimo).
Saí correndo de lá em 88, louco para morar em algum lugar
que tivesse um pouco mais de vida, em um sentido tão amplo quanto
o possivel... Na época era ligado em eletrônica, fazia minhas
montagenzinhas, tinha uma bancada em casa, vivia desmontando tudo o que
vinha pela frente...
Cheguei em Porto Alegre com 17 anos, entrei na Engenharia Elétrica,
onde fiquei quatro anos. Nesse tempo fiz dez milhões e meio de coisas,
(política, teatro, viagens, fotografia, ...) e descobri que meu
interesse não era fazer técnica, mas sim pensar a seu respeito.
Daí fui para a Filosofia. No meio do curso de Filosofia entrei em
contato com a Antropologia, e percebi que o que realmente me fascina é
pensar sobre o homem.Durante todo esse tempo, minha relação
com os
computadores
foi bastante intensa... Agora
estou em Floripa fazendo mestrado em Antropologia,
investigando
como o ciberespaço está sendo colonizado. E sendo feliz,
numa
ilha
muito legal...
Amenidades: Gosto de um monte de coisas. Fotografia, por exemplo, me
agrada muito. Teatro, apesar de ser caro e nem sempre valer a pena. Cinema,
a grande, enorme arte. Música. Ultimamente tenho escutado MPB, blues
e jazz, mas gosto de ouvir quase tudo. Prá dancar nada como um soul
ou uma disco das antigas. Saca US3? Cara, eles tem um embalo
irresistível,
é ouvir e sair batendo o pé. Gosto muito do Win Wenders antigo,
pois os últimos filmes dele foram bem fracos. Meu diretor-fetiche
é o Bertand Blier. Adoro viajar, especialmente de mochila, em rotas não muito badaladas (que cada vez são mais raras). Já fiz algumas trilhas no sul do Brasil, no Chile e no Perú (a trilha Inca). A sensação de liberdade e principalmente de autonomia que uma viagem de mochila proporciona é sensacional!
Ia esquecendo da literatura, a grande responsável por minha saída do interior! Meu autor de coração é o Machado de Assis. E, se eu acreditasse em deuses cristãos,
acenderia uma vela de vez em quando para que o João Guimarães Rosa tivesse um lugar bem bacana no céu, com um bom cavalo para percorrer os sertões do paraiso e uma ótima máquina de escrever. Atualmente tenho lido mais literatura clássica. Gosto muito de Homero, e os oradores latinos são muito divertidos! AH! Ainda tem os quadrinhos. ADORO quadrinhos, menos os de super herois, que são, exceto quando o Frank Miller coloca interesses estéticos
acima de pessoais, muito monocórdicos e “adolescentes”. Gosto muito
da produção nacional, em especial o trio de amigos (Glauco,
Angeli e Laerte) e o grande Fernando Gonzales. Admiro a forma como Mutarelli
consegue colocar seu conturbado mundo interior no papel, apesar de achar
o trabalho dele por vezes contundente demais. Mas fã mesmo, de recomendar
para os amigos e de ir atrás do trabalho, sou do
Laerte
,
o grande metafísico das tirinhas, que deveria voltar a investir
em histórias de mais fôlego! Tem mais um monte de coisas que
gosto, aliás, acho que uma das minhas características é
me interessar por várias coisas, mas acho que é melhor terminar por aqui mesmo...