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Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Filosofia e Ciências Humanas Departamento de Psicologia Laboratório de Informação e Orientação Profissional |
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Vocação A vocação é um mistério que envolve questões como genéticaXcultura, hereditariedadeXinfluência do meio - enfim, essa salada toda. Porque certas pessoas "dão" para certas coisas e outras não? Mais especificamente, porque eu sou um zero em matemática enquanto tantos à minha volta não só sabem fazer contas como gostam? Meu cérebro já nasceu decidido a rechaçar qualquer tentativa de introduzirem a raiz quadrada ou isso foi uma decisão minha que ele acatou? Há anos que se discute a divisão entre a cultura científica e a cultura humanística e é quase como se falassem de duas raças diferentes. Os que defendem que a divisão não é genética sustentam que não dá para saber pelo comportamento da criança até os seus 5 anos, se ela vai ser de um cultura ou de outra. Se o garoto gosta de abrir a barriga do ursinho, tanto pode significar que ele vai ser um cirurgião ou um médico legista quanto que vai ser filósofo e estripador nas horas vagas. O meio é que determinaria a vocação e o destino. Condicionado pelo meio, o filho de um médico teria naturalmente mais chances de ser um médico também enquanto o filho de um filósofo teria muito mais chances de escrever um livro . Já outros sustentam que a genética é tudo e que no espermatozóide que fecunda o óvulo já está o contador ou o poeta, o advogado ou o engenheiro, o ator ou o dentista. Isso se o óvulo não o receber com seus próprios planos e a decisão muda. "Nada disso: vai ser biólogo, humanista e contrabaixista amador." Seja por influência do meio ou por compulsão genética o fato é que a partir de uma certa idade nós todos sabemos se queremos abrir barrigas ou não. É verdade que muitas vezes a pessoa chega ao vestibular sem uma idéia muito clara do que vai ser: Estou entre letras, educação física e oceanografia. Mas o comum é a pessoa saber pelo menos se é da raça científica ou da humanística e depois escolher entre as opções de cada uma. Pode haver mal entendidos. Lembro como eu gostava daqueles problemas matemáticos com historinha tipo "Se um trem sai de uma estação a tal hora, viajando a tantos quilômetros por hora, e outro sai de outra estação a tantos quilômetros de distância na mesma hora e na mesma velocidade, mas o maquinista precisa passar em casa e perde cinco minutos ..." ou "Se uma mãe tem três pedaços de laranja para repartir entre cinco filhos...". Cheguei a pensar que meu cérebro gostava de contas e minha vocação era para as ciências exatas, até me dar conta que eu não gostava da matemática. Gostava era das Historinhas. Fontes: Luiz Fernando Verissimo, na revista do provão. |