Não Quero


Não quero as oferendas
Com que fingis, sinceros,
Dar-me os dons que me dais.
Dais-me o que perderei,

Chorando-o, duas vezes,
Por vosso e meu, perdido.
Antes mo prometais
Sem mo dardes, que a perda

Será mais na 'sperança
Que na recordação.
Não terei mais desgosto
Que o contínuo da vida,

Vendo que com os dias
Tarda o que 'spera, e é nada.