Nova Cartografia Social

O Projeto

   O Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) tem como principal objetivo dar voz aos sujeitos sociais organizados em grupos e associações que buscam por reconhecimento de suas expressões culturais e territoriais, entre eles quilombolas, indígenas, faxinalenses, artesãos, extratores, ribeirinhos, pescadores. O projeto propõe a realização de um mapeamento dos grupos sociais e de suas formas organizativas, por meio da realização de oficinas de cartografia. Nessas oficinas, há um envolvimento direito dos próprios sujeitos na produção de sua cartografia social,através dos conhecimentos cartográficos formais, o uso dos equipamentos técnicos como o GPS.  As práticas de produção de uma autocartografia conduzem à apropriação dos resultados dessa técnica, ao mesmo tempo que instrumentalizam e apoiam as ações dos próprios grupos s pelas mudanças sociais e ambientais.

   A cartografia produzida durante as oficinas é publicada em forma de fascículos. A produção de um fascículo privilegia as formas de expressão oral e as narrativas e memórias do grupo social envolvido e seu conteúdo é definido pelos participantes.. As oficinas também treinam e capacitam os membros da própria comunidade, que são os sujeitos na seleção dos conteúdos que deverá constar dos mapas produzidos e no registro de pontos a eles referidos. As oficinas de mapas realizadas nas próprias comunidades, a partir de uma composição definida pelos seus próprios membros, delimitam áreas e consolidam as informações obtidas por meio de observação direta e de diferentes tipos de relatos, contribuindo para uma descrição dos modos de ser e de fazer desses grupos.

    O resultado desse processo é um fascículo impresso que apresenta os conteúdos considerados relevantes pelos próprios grupos sociais e demonstra uma leitura atenciosa da problemática social, econômica e ecológica.

   As experiências consolidadas em diversas regiões e com distintos grupos no Brasil demonstram que os “livretos” resultantes são utilizados como um poderoso instrumento de luta e encaminhamento de reivindicações, principalmente na defesa de direitos territoriais coletivos.

     Os mapas produzidos pelos grupos sociais, bem como as informações sistematizadas em livros, textos, vídeos, fotografias e fascículos, resultam das interpretações e das práticas de mobilização dos grupos sociais, num processo de autocartografia que se distingue em forma e conteúdo dos produtos cartográficos tradicionalmente feitos pelo Estado.

   O projeto produz ainda artigos e livros que socializam o debate teórico produzido nas experiências de realização das oficinas e produção de fascículos. Esses textos de recorte mais acadêmico tem abordado questões conceituais, legislações pertinente aos direitos das comunidades e povos tradicionais, normas vigentes, propostas para proteção do conhecimento tradicional e biodiversidade ou a regularização fundiária de terras tradicionalmente ocupadas.

   Entre julho de 2005 a janeiro de 2008 foram produzidos cinqüenta e nove fascículos no país. Cada fascículo é o resultado de um conjunto de esforços e de relações sociais entre comunidades e povos tradicionais e a equipe de pesquisadores, que começa a concretizar-se com a realização da oficina de mapas e encerra essa instância de mapeamento com a publicação do fascículo.   

  O PNCSA associa um grupo de pesquisadores comprometidos com a identificação, a análise e o encaminhamento de soluções das questões sociais em torno desses grupos. O PNCSA tem sede na Universidade Federal do Amazonas  (UFAM)  e é coordenado pelo professor  Alfredo Wagner Berno de Almeida.  Na Universidade Federal do Pará (UFPA) o projeto é desenvolvido junto a UNAMAZ-NAEA, no Instituto Amazônico de Planejamento, Gestão Urbana e Ambiental (IAGUA), coordenado pelo professora Rosa Elizabeth Acevedo Marin.  Para maiores informações sobre o projeto acesse o site www.novacartografiasocial.com.br

     O projeto se estendeu a várias regiões do Brasil. Em Santa Catarina, o PNCSA articula-se com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vinculados ao Núcleo de Estudos sobre Identidade e Relações Interétnicas - NUER)e ao Núcleo de Estudos da Dinâmica Regional e de Processos Rurais ligado ao Departamento de Geografia da UFSC. O NUER particpipou pela primiera através do fasciculo sobre o paiol de Telha, no Paraná. O primeiro fascículo produzido em Santa Catarina foi o das Cipozeiras de Garuva (Garuva). No ano de 2009, outros fascículos foram iniciados, entre eles o da Comunidade Quilombola Morro do Boi (Balneário Camboriú);, Capoeiristas da Ilha de Santa Catarina, Pescadores Artesanais da Costa da Lagoa, Moradores da Ponta do Leal, Povos e Comunidades de Terreiro, todos em Florianópolis.

-Quilombolas do Morro do Boi
-Moradores da Ponta do Leal

-Comunidade da Costa da Lagoa: Pescadores Artesanais
-Capoeira da Ilha
-Equipe

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