MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Prof. Paulo A. Duarte

paduarte45@yahoo.com.br

Florianópolis, SC – Brasil

 

O que devemos entender, em primeiro lugar, é que o clima sempre mudou em nosso planeta. As condições de milhares de anos atrás não eram as mesmas de hoje; e as de hoje não serão as mesmas daqui a milhares de anos. Tudo muda no universo, inclusive o clima. Há 75 milhões de anos atrás tivemos a extinção de 70% da vida em nosso planeta, incluindo os dinossauros. E isto porque houve o choque de um grande asteróide com a Terra que provocou o levantamento de muita poeira, dificultando a passagem da luz do Sol por centenas de anos. Com isso, houve mudanças climáticas, um esfriamento, que veio afetar toda a cadeia alimentar, dizimando 70% da vida na Terra. Há 250 milhões de anos houve uma mudança climática que levou à extinção 90% da vida na Terra. Desta vez por causa de muitas atividades vulcânicas que colocaram grande quantidade de gases e poeira na atmosfera. Foram causas naturais. Naquela época, o homem não estava ainda na face de nosso planeta. Vários acontecimentos, por causas naturais, já elevaram ou baixaram a temperatura na Terra, causando mudanças climáticas significativas. De tempos em tempos, por causa do movimento de translação da Terra em volta do Sol, que é feito de forma irregular, nosso planeta passa por períodos glaciais de milhares de anos, quando as temperaturas baixam muito e as geleiras avançam. E entre uma glaciação e outra, a Terra passa por um período que é chamado Interglacial, quando as temperaturas se elevam e as geleiras regridem. Tudo por causas naturais, sem a intervenção humana. Neste momento, estamos caminhando para uma nova glaciação daqui a milhares de anos. Um resfriamento global. Mas é claro que isto não se faz linearmente, pois existem pequenos períodos de resfriamento ou de esquentamento que se alternam ao longo do tempo, seja no transcurso de um período glacial ou interglacial. Mas a tendência geral é que aconteça uma nova Era Glacial daqui a milhares de anos. Devemos considerar também que o Sol é uma estrela como qualquer outra, tendo atividades periódicas de maior ou de menor emissão de energia. Isto afeta os climas na Terra, elevando ou baixando as temperaturas, ou seja, causando mudanças climáticas. Entre os anos de 1645 e 1715, as atividades solares foram tão baixas que causaram um esfriamento global. Foi um período conhecido por Pequena Era Glacial, que chegou a causar congelamento de rios na Europa, além de prejudicar o desenvolvimento da agricultura e causar muita fome pelo mundo. E assim como tivemos um esfriamento global relacionado com baixas atividades solares naquela época, acredita-se que a Terra também sente os efeitos de períodos de dezenas ou centenas de anos de grande atividade solar, sendo que em tais casos o que ocorre é um esquentamento global. Então, mesmo sem a intervenção humana, a Terra passa por períodos de mudanças climáticas, seja por períodos longos de milhares de anos, ou por períodos mais curtos de dezenas ou centenas de anos. Isto é uma coisa natural, com a qual devemos estar preparados para lidar. O que precisamos saber é que, independentemente da intervenção humana, os climas sempre mudaram, estão mudando e sempre mudarão. O que fazer, então? O que precisamos fazer é buscar soluções para que a humanidade possa conviver com a realidade das transformações do clima. Precisamos planejar nosso relacionamento com mudanças que certamente nosso planeta está passando e ainda passará. Mas o que não se pode é deixar transparecer a falsa idéia de que antigamente o clima não mudava. E só agora, depois da Revolução Industrial e da poluição que temos causado, é que coisas estranhas estão acontecendo com o clima. Precisamos saber ainda que não podemos reverter esta situação, tentando-se retornar ao clima estável de antigamente. Na verdade, clima estável nunca houve, pois o clima é uma constante transformação que depende de uma série enorme de variáveis. A máquina climática é muito complexa e fica difícil isolar um de seus elementos como sendo o causador das mudanças. Aliás, devemos compreender  que nada há de eterno no universo, a não ser a mudança. Tudo muda. Tudo se transforma. O seu corpo já não é mais o mesmo desde o momento em que você começou esta leitura. O clima não está fora deste contexto. O trabalho desenvolvido pelo IPCC (sigla inglesa para Painel Intergovernamental Sobre Mudança Climática), um grupo internacional de cientistas que se reúne periodicamente para estudar tais questões, merece respeito, mas com algumas ressalvas. O relatório preliminar divulgado em 02-02-2007 traz dados alarmantes sobre o futuro climático da Terra. Mas é importante que se esclareça que o objetivo do trabalho do IPCC é isolar o homem como componente da máquina climática, buscando-se entender em que os seres humanos podem estar afetando, sozinhos, os climas no nosso planeta. A metodologia do IPCC é assim: um grupo trabalha na identificação das ações humanas que podem estar afetando o clima globalmente; outro trabalho está voltado para a identificação dos possíveis impactos que a ação humana poderia causar ao meio-ambiente; e um terceiro momento aponta para a identificação das soluções. Mas este é um trabalho voltado propositalmente para as ações humanas que estejam relacionadas com impactos sobre os climas, deixando de lado as outras variáveis. Mas quando os relatórios são divulgados fica uma falsa idéia, para o grande público, de que somos capazes, sozinhos, de moldar o clima conforme nossas necessidades. Por sua vez, é impossível isolar um componente da máquina climática e prever conseqüências globais em função de um único fator. Afinal de contas, a máquina climática é complexa e tem muitos componentes, mas o grande comandante dos climas é o Sol. O entendimento de suas atividades e dos ciclos de energia que nos chega é fundamental para que possamos compreender o comportamento da máquina climática. Concordo que planejar nosso bem-estar na face do planeta Terra é necessário, mas precisamos deixar claro que as transformações climáticas são naturais, independentemente da presença humana. Exercemos alguma influência, é claro, mas não somos o único agente modificador dos climas. E por isso é preciso que estejamos atentos para a complexidade de todo o mecanismo gerador dos climas para que não sejamos surpreendidos no futuro. O homem se colocou no pedestal de controlador do clima e da natureza.  E isso é falso. Se algum dia a humanidade deixar de existir, tenho certeza que não fará nenhuma falta para o planeta Terra e para o universo. Somos parte da natureza, e, portanto, parte do próprio mistério que queremos desvendar. É claro que não estou dizendo que devemos ficar de braços cruzados. Mas é fundamental que se entenda que é a natureza que nos controla. Pensemos sobre isso.

 

 

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