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Artigos
-
Big Brother Brasil: a banalização do
cotidiano. Pedrinho A. Guareschi e Laura Helena
Pelizzoli
-
Foucault, um arqueogenealogista do
saber, do poder e da ética. Inês Lacerda Araújo
-
A modernidade sob o prisma da tragédia:
um ensaio sobre a singularidade da tradição sociológica
alemã. Adélia M. Miglievich Ribeiro e Brand Arenari
-
Confiança no parceiro e proteção frente
ao HIV: estudo de representações sociais com mulheres.
Andréia Isabel Giacomozzi
-
Representações sociais sobre meio
ambiente de alunos que cursam Engenharia Ambiental.
David José Diniz e Rita de Cássia Magalhães Trindade
Stano
-
Novas tramas produtivas no setor de
telecomunicações pós-privatização: a experiência do Rio
Grande do Sul. Sandro Ruduit Garcia
-
Cultura política: convergências e
diferenças em Porto Alegre e Curitiba. Paulo J. Krischke
-
Gilberto Freyre e Celso furtado: duas
leituras distintas da formação urbano-industrial no
Brasil. Maria José de Rezende
-
Sistema familiar de produção: algumas
questões para o debate. Lauro Mattei
-
Migrantes-nômades: chegar, partir ou
ficar? Sirlândia Schappo
Apresentação
O número 35 da Revista de Ciências Humanas (RCH),
relativo ao primeiro semestre de 2004, chega agora às
mãos do leitor - seu principal parceiro - com mais um
conjunto de artigos que tem por objetivo ampliar o
debate de temas da contemporaneidade.
Nesse número, como nos demais, o leitor, acostumado
com a interdisciplinaridade da revista, encontrará
idéias e proposições acerca do social produzido por
profissionais da Área de Ciências Humanas e Sociais.
Sobre os "reality show" diz Muniz Sodré em “O império
do grotesco” que “... procura-se identificar realidade
com um cotidiano desprovido de maior sentido, com uma
espécie de grau zero do valor estético, em que só há
lugar para o miúdo, o mesquinho, a emoção barata e o
banal". O fenômeno que não é apenas brasileiro e indica,
entre outras questões, o rebaixamento do padrão
televisivo e uma identificação do público com este “lixo
reciclado e transmitido”. Os autores Pedrinho A.
Guareschi e Laura Helena Pelizzoli fazem uma análise
crítica do “reality show” produzido pela Rede Globo
abordando, principalmente, a questão da ética, no artigo
“Big Brother Brasil: a banalização do cotidiano”.
Inês Lacerda Araújo constrói seu artigo a partir do
clássico texto de Foucault “Arqueologia do saber”. Em
“Foucault, um arqueogenealogista do saber, do poder e da
ética”, a autora identifica as relações entre as
práticas discursivas e não discursivas como sendo
aquelas que apontam para o aparecimento do sujeito
moderno e da sociedade disciplinar, controladora.
Propõe-se a verificar os discursos produzidos no campo
da psicologia e da psicanálise como discursos produtores
do saber/poder.
Em “A modernidade sob o prisma da tragédia: um ensaio
sobre a singularidade da tradição sociológica alemã”,
Adélia Miglievich Ribeiro e Brand Arenari discorrem
sobre as tradições do pensamento na sociologia e fazem
um exercício de análise das escolhas epistemológicas de
cada tradição. Tomam por objetivo do trabalho analisar a
“tragédia” como elemento comum que une pensadores da
sociologia moderna como F. Tonnier (1855- 1936), G.
Simmel (1858-1918) e M. Weber (1864 - 1920), estendendo
a análise aos pensadores da Escola de Frankfurt, como
Adorno e Horkheimer.
O estudo “Confiança no parceiro e proteção frente ao
HIV: estudo de representações sociais com mulheres”, de
autoria de Andréia Isabel Giacomozzi, contribui para a
reflexão acerca das representações sociais de mulheres
com ou sem parceiro fixo sobre a sexualidade e prevenção
da AIDS. A contribuição desse trabalho, principalmente a
social, deve-se ao fato de que a pesquisa realizada pela
OMS/2004 confirmou o aumento crescente do número de
mulheres infectadas. Portanto, discutir o comportamento
das mulheres face à prevenção é, nesse momento, uma
contribuição significativa.
“Representações sociais sobre o meio ambiente de
alunos que cursam Engenharia Ambiental”, de autoria de
David José Diniz e Rita de Cássia Magalhães Trindade
Stano, discute as representações sociais e as possíveis
alterações que os formandos desses cursos, dessas novas
metodologias de proteção ao meio ambiente estão, na
prática, fazendo acontecer e com isso criando condições
para mudanças curriculares.
”Novas tramas produtivas no setor de telecomunicações
pós-privatização: a experiência do Rio Grande do Sul",
de Sandro Ruduit Garcia, analisa as relações produtivas
que se configuraram no setor das telecomunicações, no
Estado do Rio Grande do Sul a partir do processo de
privatização em 1998.
Em “Cultura política: convergências e diferenças em
Porto Alegre e Curitiba", Paulo J. Krischke compara a
cultura política das cidades de Curitiba e Porto Alegre,
analisando suas diferenças e convergências como formas
locais complementares de manifestação da conquista da
cidadania nos diferentes contextos históricos - sociais.
Maria José de Rezende, em "Gilberto Freyre e Celso
furtado: duas leituras distintas da formação
urbano-industrial no Brasil", rastreia interpretações
dadas por Freyre e Furtado acerca do processo de
urbanização no Brasil.
O olhar sociológico está presente em um interessante
texto que, mesmo canônico no campo da sociologia,
“Sistema familiar de produção: algumas questões para o
debate". de Lauro Mattei, contribui ao problematizar o
conceito de agricultura familiar. Na esteira de refletir
sobre agrupamentos sociais e suas definições, a autora
de "Migrantes-nômades: chegar, partir ou ficar?”,
Sirlândia Schappo analisa a insuficiência do termo
"êxodo rural" para definir os deslocamentos
populacionais; no artigo, a autora chama atenção para o
risco do conceito quando utilizado de maneira genérica,
e espera que sua contribuição possa ajudar a compreender
os processos migratórios.
Esperando que os artigos desta edição possam
contribuir cada vez mais para a definição do caráter
interdisciplinar da RHC, colocamo-nos à disposição de
nossos leitores e assinantes.
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