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ENCICLOPÉDIA    SIMPOZIO

(Versão em Português do original em Esperanto)
© Copyright 1997 Evaldo Pauli

DISCURSO CATARINENSE

Autor:
Evaldo Pauli
Prof. da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC.
Membro: da Academia Brasileira de Filosofia, RJ.
do Instituto Histórico e Geográfico de SC.
da Academia Catarinense de Letras.


 DISCURSO INFORMAL SOBRE
O HINO DO ESTADO DE SC.

Discurso iniciado em 28-8-1997, na Academia Brasileira de Letras, RJ,
por ocasião do Chá, esta então em alongados festejos de centenário
Agora versão de Abril, 2000.

 
 

1. O Hino do Estado é um símbolo oficial da comunidade. Quando cantado coletivamente, se torna um dos pontos altos nos festejos cívicos.

Mas, - o que é que, até aqui, se tem constatado, por ocasião de comemorações oficiais?

No momento de ser cantado o Hino Oficial de Santa Catarina, - ninguém o sabe! É uma vergonha!

 

Não se diga, - com simplismo, - que as escolas não o ensinaram.

É quase impossível ensiná-lo! E quando é ensinado, não é aprendido, - por que o hino do Estado de Santa Catarina foi um equívoco, desde quando introduzido, em 1892.

 

2. Importa um questionamento englobante sobre o Hino do Estado de Santa Catarina, reavaliando-o e mesmo lhe opondo possíveis melhores alternativas.

 

Não obstante, é preciso ir de vagar nesta história de reformar coisas antigas, para evitar o tumulto do mudancismo em tudo. Há mesmo nomes, - como Rio de Janeiro, - os quais embora errados, podem assim continuar, pelo simples fato, de que a mudança criaria enorme prejuízo.

Continua oficial o velho hino de 1892, enquanto não for afastado pelas instâncias oficiais. Entretanto estas podem decidir, por maioria política, em favor de uma alternativa melhor.

 

3. Abrimos este nosso Discurso informal sobre o tema do Hino catarinense, iniciando-o em 28-8-1997, por ocasião do Chá, na Academia Brasileira de Letras, RJ, quando ali estivemos por ocasião dos alongados festejos de centenário do importante sodalício.

Desde logo insistimos que o Hino que se tem dado por primeiro ao Estado de SC, não satisfaz a aquilo que deveria ser, - um símbolo oficial da comunidade.

Ninguém se encanta pelo Hino de 1892.

Entretanto, se encantam todos pelo Estado de Santa Catarina, porque este efetivamente é belo.

Encantam-se também pela sua história, que é a de Estado pioneiro no Sul, criado que foi, como Capitania, em 11 de agosto de 1738! (vd Dia do Estado).

Nascida a Capitania com a graça de menina, tornou-se gigante. Inicialmente era apenas o então município de N. Sra. do Desterro, ocupando tão só o espaço entre Garopaba e Camboriú, expandiu-se depois para o Sul e Norte, Planalto e Oeste.

 

4. Continuou a repetir-se o nosso Discurso sobre o Hino do Estado de Santa Catarina, em 12 de dezembro, ainda do mesmo ano de 1997, poucos meses depois do primeiro reparo por ocasião do Chá na Academia Brasileira de Letras.

Nesta segunda oportunidade, o nosso discurso foi pela via Internet, da Universidade Federal de SC, que desde então acolhe o texto da Enciklopedio Simpozio (bilingue Esperanto e Português), e que se tornou logo a sua página mais acessada naquela rede.

Inserimos então, nas Efemérides de SC, a propósito de Horácio Nunes Pires (n. 3-3-1855), autor do texto do primeiro hino de SC, a advertência seguinte:

"Tem-se questionado a autenticidade do Hino Catarinense, cujo aspecto é paradoxalmente o de um hino abolicionista.

Não reflete a realidade. Não é um hino do Estado de SC, apesar do decreto que o estabeleceu em 21-4-1892 e apesar ainda de haver sido aprovado pelo Congresso Representativo do Estado, em 6 de setembro de 1895 e sancionado pelo Primeiro Governador Eleito de Santa Catarina, Dr. Hercílio Pedro da Luz" (vd 0303sc88)

Voltamos a insistir, - nas mesmas Efemérides de Santa Catarina, - no texto referente à sanção do então Governador, ocorrida em 6-9-1895:

"O poeta Horácio Nunes Pires nasceu no Rio de Janeiro (3-3-1855), e o músico José Brasilício de Souza, em Pernambuco (9-1-1854). Não é pelo fato de terem vindo de outros Estados para cá, - porque isto merece até o apreço dos catarinenses, - mas pela pouca autenticidade catarinense do hino, que o contestamos.

Sobretudo a letra, pelo seu caráter generalizante, muito pouco espelha a realidade do nosso Estado. Por isso apareceram os que desejam um novo texto. Além disto, o texto de Horácio Nunes Pires é notoriamente longo, além de compridos os seus versos, por vezes duros e sem brilho.

Independente de qualquer apreciação interna do texto, o fato é que o hino de 1892 não se popularizou. Geralmente ninguém sabe cantá-lo" (vd 0609sc07).

E essa vergonha já perdura mais de cem anos. Melhor vale dizer que o Estado ainda não possui hino oficial!

 

5. No curso do ano 1998, em nosso tratado de Estética Literária (vd 4515y000), aparecido na rede Internet, - também como parte da Enciklopedio Simpozio, - nos preocupamos com o espírito dos hinos nacionais, ao mesmo tempo aflitos com o do Estado de Santa Catarina.

 

Efetivamente, a teoria sobre os hinos cívicos começa a propósito dos hinos nacionais. Estes em princípio devem comemorar a comunidade dos cidadãos, que formam uma nação e que tem na constituição o seu instrumento jurídico.

Não obstante costuma ocorrer nos hinos nacionais o desvio fácil para um conceito próximo, - o da independência do país, - com as respectivas exaltações heróicas, formuladas por vezes de forma não humanística, porque agressivas e com espírito de fronteira. É bem este o caso da polêmica Marselhesa da França.

 

6. Nosso discurso informal passou a uma segunda fase, quando em janeiro de 2000 foi enviada à Enciklopedio Simpozio, uma proposta de Hino de Santa Catarina.

Os novos versos foram enviados por um poeta catarinense, - professor de letras, com experiência nos três níveis de ensino, elementar, médio e superior, - dizendo-o criado depois de haver tomado conhecimento dos reparos feitos por nós ao velho Hino Oficial do Estado.

Em função deste novo texto, mais leve e representativo, continuamos nosso discurso, particularizando-o sempre mais, quanto ao que deva ser um hino catarinense.

 

7. Sobretudo os hinos de Estados federados deverão ter um caráter humanístico bem evidente. Em vez de estimular a agressividade entre os Estados, deverão aludir à comunidade nacional.

O catarinense poderá, por exemplo, cantar a respeito de seu Estado:

- Como estrela bem notada,

- Te destacas – és gentil!

- E tua gente sempre honrada

- Enobrece meu Brasil!

 

Eis, como chega ao seu final, o novo hino, que pois não esqueceu a federação, e a menciona pelo próprio nome.

 

Alguma ênfase deverá ser anotada, com vistas a excitar o entusiasmo cívico. No caso de nosso Estado isto poderá ser anotado pela referência histórica, de que Santa Catarina é um discurso bandeirante, e sobretudo um Estado pioneiro e altaneiro.

Foi efetivamente Santa Catarina, depois da bem sucedida expansão bandeirante, a primeira governadoria regional do Sul. O mencionado primeiro Governo do Sul foi criado em 11-8-1738, tendo como capital a fundação bandeirante de Dias Velho na Ilha de Santa Catarina.

Segue-se a prosperidade por obra dos imigrantes, acontecida desde os primeiros anos da Capitania até os tempos adentrados da República.

Exaltando todo o curso da história do Estado catarinense, a ênfase dos versos poderão cantar assim:

- Pela mão do bandeirante

- Te fizeste pioneiro!

- Com o trabalho do imigrante,

- Um Estado altaneiro!

8. Mas, o que muito importa ao cantar catarinense é o otimismo sobre a beldade de seu paraíso.

Como abertura de cenário magnífico, deve o Hino oficial de Santa Catarina começar pela advertência para o que tem de máximo, sua beleza magnificente.

- Bela e Santa Catarina

- Praias, serras verdejantes

- Tens a graça da menina;

- Tens a força dos gigantes.

 

Feita a seguir a referência ao bandeirante e ao imigrante, bem como ao Estado altaneiro, importa o ritornelo à beleza, advertindo agora também para a gentileza de sua gente: - Nossas praias são tão belas!

- Nossos vales verdes são!

- Nossa gente tão singela,

- Trata a todos como irmãos!

 

Como um tilintar constante, convém um estribilho didático motivando o zelo por nosso paraíso. - Catarinense, avante!

- Com trabalho, com amor,

- Preserva a natureza,

- Que é nosso grande valor!

 

7. Talvez não vá encerrar aqui o nosso discurso informal sobre Hino de Santa Catarina.

Podemos ter comprado uma briga. Mas talvez não.

Assim como por causa de nossas observações nasceu um Hino de Santa Catarina, mais outros poderão nascer, e então teremos uma florada de Hinos de Santa Catarina. Oxalá assim seja, porque Santa Catarina merece muitos Hinos!.

 

8. Como julgar? Concursos se podem fazer com muitos métodos, mesmo com lances secretos. Mas, em assuntos da instância pública, o voto politicamente melhor é aquele dado em aberto.

Todos têm direito a concorrer com os seus hinos.

Todos têm direito de votar, diretamente ou indiretamente, conforme os trâmites estabelecidos, por quem de direito.

 

Se acontecer votação, também o velho hino tem direito a concorrer à reeleição.

E se não for estabelecida a votação, continuará a valer o velho hino, para gáudio não somente dos simplistas, mas também dos indiferentes aos quais pouco importa que o hino existente não expresse ao Estado de Santa Catarina.

Evaldo Pauli.

 


Discurso iniciado em 28-8-1997, na Academia Brasileira de Letras, RJ,
por ocasião do Chá, esta então em alongados festejos de centenário
Agora versão de Abril, 2000.


 
Compare abaixo as versões:
 
 

 

HINO DE SANTA CATARINA
(Versão alternativa, janeiro, ano 2000, enviada à Enciklopedio Simpozio, da autoria de poeta catarinense, professor de letras, com experiência nos três níveis de ensino, elementar, médio e superior, depois de tomar conhecimento dos reparos feitos por nós ao Hino Oficial do Estado).

 

I
Bela e Santa Catarina

Praias, serras verdejantes

Tens a graça da menina;

Tens a força dos gigantes.

 

[Estribilho]
Catarinense, avante!

Com trabalho, com amor,

Preserva a natureza,

Que é nosso grande valor!

 

II
Pela mão do bandeirante

Te fizeste pioneiro!

Com o trabalho do imigrante,

Um Estado altaneiro!

 

III
Nossas praias são tão belas!

Nossos vales verdes são!

Nossa gente tão singela,

Trata a todos como irmãos!

 

IV
Como estrela bem notada,

Te destacas – és gentil!

E tua gente sempre honrada

Enobrece meu Brasil!

 


 
HINO DE SANTA CATARINA
- oficializado em 1892 -
Letra de: Horácio Nunes Pires.
Música de: José Brazilício de Sousa.

 

I
Sagremos num hino de estrelas e flores

Num canto sublime de glórias e luz,

As festas que os livres frementes de ardores,

Celebram nas terras gigantes da Cruz!

Quebram-se férreas cadeias,

Rojam algemas no chão;

Do povo nas epopéias

Fulge a luz da redenção!

 
II
No céu peregrino da pátria gigante,

Que é berço de glórias e berço de heróis,

Levanta-se em ondas de luz deslumbrante,

O Sol, Liberdade cercada de sóis!

Pela força do Direito

Pela força da razão

Cai por terra o preconceito

Levanta-se uma Nação!

 
III
Não mais diferenças de sangues e raças

Não mais regalias sem termo fatais,

A força está toda do povo nas massas,

Irmãos somos todos e todos iguais!

Da liberdade adorada,

No deslumbrante clarão

Banha o povo a fronte ousada

E avigora o coração!

 
IV
O povo que é grande mas não vingativo

Que nunca a justiça e o Direito calou,

Com flores e festas deu vida ao cativo

Com festas e flores o trono esmagou!

Quebrou-se algema do escravo

E nesta grande nação

É cada homem um bravo

Cada bravo um cidadão!

 

 


Discurso iniciado em 28-8-1997, na Academia Brasileira de Letras, RJ,
por ocasião do Chá, esta então em alongados festejos de centenário
Agora versão de Abril, 2000.

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