Cap.1ÍndicesCap.2 - Art. 3

ENCICLOPÉDIA   SIMPOZIO

(Versão em Português do original em Esperanto)
© Copyright 1997 Evaldo Pauli

CAP. 2
DA COR EM SI MESMA (ou DO SIGNIFICANTE). 3911y117.

- Estética das Cores -

 
 
 

118. Introdução ao estudo das cores. Teoricamente, que é a cor, antes de ser aproveitada como recurso técnico de expressão?
O estudo teórico da cor já não pertence à ciência da arte. Entretanto, usa-se fazer junto dela este estudo teórico, mas na medida que lhe interessa. Trata-se pois, de uma exposição pragmática disciplinar.
 
No tratamento da natureza da cor importa o que propriamente vai interessar ao artista e ao intérprete. Deixamos o que é mais remoto, como a produção industrial das tintas e a produção das imagens, fotográficas e eletrônicas.
 
Dali resulta o seguinte esquema didático:
- Natureza física e gnosiológica da cor (art. 1-o) (vd 3911y120);
- espécies de cor (art. 2-o) (vd 3911y174);
- propriedades físicas da cor (art. 3-o) (vd 3911y252);
- psicodinâmica das cores (art. 4-o) (vd 3911y275);
- harmonia e ritmo das cores (art. 5-o) (vd 3911y333);
- alianças da arte da cor com outras artes (art. 6-o) (vd 3911y370).
 
Os últimos títulos são desdobramentos de propriedades físicas da cor, ao mesmo tempo que anotando propriedades psicológicas para os referidos detalhes desdobrados.


 
 


Art. 1o. NATUREZA FÍSICA E GNOSIOLÓGICA DA COR.
3911y120.

 
 

121. A cor em si mesma é examinada teoricamente pela física e pela gnosiologia.
Dali resultam dois temas para estudo maior:
- aspectos físicos da cor (§ 1-o) (vd 123);
- a cor como um sensível (§ 2-o) (vd 146).
Estas considerações se distinguem do aproveitamento da cor para os fins da arte. Surgem, porém, como pré-requisitos importantes para a compreensão da arte que a utiliza.
 
A questão é difícil, e oferece surpresas, como sua natureza corpuscular (os fótons) e seu caráter subjetivo adquirido no conhecimento.

 

 

§1. Aspectos físicos da cor.
3911y123.

 
 

124. Entende-se por "físico" o que se situa no mundo dos sentidos exteriores. O físico não é um objeto da imaginação interior.
Não importa que os objetos exteriores sejam gnosiologicamente interpretados à maneira do idealismo, ou à maneira do realismo. Em qualquer hipótese, eles são físicos pela circunstância de serem considerados como se fossem exteriores, não importando o grau desta exterioridade.
Nesta acepção ampla entendemos agora a cor como algo físico.
Importam advertir para duas características da cor:
 
- relação da cor com a luz (vd 126);
- diferença das cores pelo comprimento de onda (vd 131).

 

 

I - Relação da cor com a luz.
3911y126.

 
 

127. Verifica-se que a cor se prende à luz, e com todo o contexto eletromagnético em que estas se encontra. Em última instância a compreensão do fenômeno da cor e de sua manipulação importa em conhecimentos de física os mais complexos, e por que estes foram alcançados pelo homem, foi possível criar maravilhas tais como a televisão e Internet.
 
Na observação superficial parece que a cor está no objeto, não nos apercebendo nós de que se prende à luz, constituída de corpúsculos. Na ausência de luz, os objetos deixam de manifestar com cor, ainda que continuem sensíveis ao tato da mão que os toca.
Com a luz o objeto se acende e se apaga. Quer observemos a luz, quer observemos os corpos que a refletem, a cor se associa ao comportamento da luz. Por isso, não se pode definir a cor como sendo apenas o elemento visual dos corpos.


 
128. Natureza da luz. Tentando responder mais precisamente o que é a luz, já as primeiras teorias modernas discutiam se era corpuscular ou ondulatória.
Para o holandês Christian Huygens (1629-1695) com quem começaram as primeiras discussões válidas, os fenômenos luminosos, como publicou em seu Tratado da Luz (1690), seriam vibratórias. Com esta teoria levanta idéias inteiramente novas sobre a luz, com forte oposição de muitos. Primeiramente parece prevalecer a constatação; mais tarde, se inclinam a ela os físicos. Chama-se a teoria de Huygens "ondulatória escalar".
 
Pouco diferente, o físico francês Augustin-Jean Fresnel (1788-1827) propôs a teoria "ondulatória vectorial". Este físico e mais Thomas Young (1873-1829) conduziram a teoria ondulatória a uma aceitação generalizada, que prevaleceu por um século. Agora, porém, as ondas luminosas não seriam transversais (ondas do mar), porém longitudinais.
 
O inglês Isaac Newton (1643-1727) se dedicou a uma exame meticuloso da luz, com resultados bastante concretos sobre as cores, que obteve descobrindo o espectro. Publicou uma obra fundamental em 1704, intitulada Ótica. Contrariou abertamente a teoria ondulatória de Huygens. Em consequência deu à antiga teoria corpuscular uma fisionomia nova.
Mais tarde o escocês Maxwell (1831-1879) ergueu a hipótese de que a luz se liga ao fenômeno fundamental eletromagnético.
 
Depois de 1900 se desenvolveram os estudos sobre as modalidades de onda, bem como de seu aproveitamento de maneira a diferenciarem entre si, pelo seu comprimento, efeitos e possibilidades de aproveitamento técnico. Com isso prosperou a linguagem: ondas cósmicas (curtíssimas), ondas de rádium, ondas de raio X, ondas infravioletas, ondas de luz, ondas infravermelhas (térmicas), ondas de rádio, onde de televisão.
Einstein (1879-1955) desenvolveu a teoria dos fótons. Em 1950, com sua teoria do campo unificado, insistiu que todas as formas da natureza eram regidas pelas mesmas leis básicas.
Novos fenômenos, que a teoria ondulatória não parecia de todo explicar, fizeram ao físico alemão Max Plank (1858-1947) criar a teoria dos quanta, de natureza corpuscular, como em Newton, mas em termos de energia:
Grãos de energia, por projeção instantânea e descontínua, emitidos por fonte luminosa.
Subitamente a teoria corpuscular recebeu outra vez impulso.
 
129. Para resolver o problema dos fenômenos de interferência, que a teoria ondulatória explica melhor, surgiu ainda a teoria conciliatória, a da mecânica ondulatória, de Broglie (1892-), Heisenberg (1901-1961) e Schoedinger (1887-1961):
"Todo grânulo que se move (grânulo de matéria, grânulo de eletricidade, grânulo de energia) é acompanhado por um cortejo de ondas determinadas, que se deslocam com ele, sem nunca abandoná-lo".
 
Sobre as cores ainda outros trabalhos foram desenvolvidos por físicos, que por isso mesmo se tornaram notáveis.
A distinção entre cores primárias e secundárias foi já desenvolvida por Field (1774-1854). Também se ocuparam com as cores, Goethe (1749-1832), Helmholtz (1821-1894), Maxwell (1831-1879), Wilhelm Ostwald (1853-1932), Munsell.

 

 

II - Relação entre comprimento de onda e espécie de cor.
3911y131.

 
 

132. As ondas eletromagnéticas são de variado comprimento, sendo as mais curtas os raios cósmicos, as mais longas as ondas de TV, as intermediárias, a luz, com suas respectivas cores.
O importante é que as oscilações apresentam desigual comprimento e consequentemente desigual frequência de vibrações por segundo.
O trabalho dos físicos importa em:
- separar os diversos comprimentos de onda;
- medir as ondas;
- estabelecer as propriedades.
 
133. A separação natural dos comprimentos de onda ocorre nas diversas maneiras com que os corpos refletem a luz. Podem refletir determinados comprimentos de onda e não a outros.
Outra modalidade de separação dos comprimentos de onda se exerce na decomposição espectral.
Ainda ocorre a separação, quando a fonte de produção das ondas emite apenas certos comprimentos.


 
134. A medição das frequências de onda de luz certamente é um trabalho meticuloso e dependente de técnicas mui especializadas.
Nesta área de tarefas se encontra também a criação de um sistema de medidas adequadas. Aproveita-se a indicação de mícron, o milésimo de um milímetro. Um milimícron é o milionésimo de um milímetro.
Mas, a unidade específica para medidas da luz é a unidade Angstrom (referência ao físico sueco Anders Jons Angstrom, 1814-1874); indica a extensão de dez milionésimos de milímetro; portanto = 0,0001 de mm.
Escreve-se U. A. ou u. a. (unidade angstrom). Ora se usa milimícron, ora u. a. Dizer que o azul apresenta 480 unidades, ou 4800 unidades, significa, na primeira míli unidades de angstrom (U.A.), na segunda, milimícrons.


 
135. O estabelecimento das propriedades das diversas frequências de onda de luz, eis o que o físico passa finalmente a estabelecer.
Alguns comprimentos produzem calor, alguns outros a sensação de cor, alguns outros ainda não se manifestam aos nossos sentidos, mas se revelam por efeitos outros, e que permitem constatar sua presença.
Consegue-se determinar que alguns animais, como os pássaros, vêem cores que escapam aos homens. Induz-se que sobretudo as cores compostas serão mui diferentes aos olhos destes animais.


 
136. A descoberta das ondas eletromagnéticas resultou logo em uma nomenclatura inusitada até então.
À medida que as ondas se revelam aos olhos, se denominam ondas de luz.
Separadas as ondas, pelos seus variados comprimentos, passam a se denominar cores.
À medida ainda que as ondas se manifestam aos sentidos do tato, se dizem ondas térmicas.
Há ainda outros comprimentos, progressivamente mais curtos, que são os raios ultravioletas, raios X, raios de radium, raios cósmicos, sempre mais curtos.
Com referência às ondas de rádio: ondas ultracurtas, curtas, médias, onda de TV, sempre mais longas.
 
137.  =Figura mostrando comprimentos e nomes:
Raios cósmicos
 
Raios de Radium
 
Raios X
 
Raios ultravioletas 136-3600
 
raios visíveis 4000-7000 (espectro)
 
ondas de rádio
– ultra curtas
– curtas
– médias
– longas
– de TV
 
Na figura se destaca haver um só grande processo eletromagnético.
Apenas as ondas da luz e do calor se manifestam imediatamente às faculdades cognoscitivas; os demais são verificáveis apenas indiretamente, pelos efeitos físicos que deixam.
Dada, porém, a conexão da cor com os demais fenômenos eletromagnéticos, foi possível desenvolver todo um sistema de imagens coloridas, de que a televisão é um exemplo admirável.


 
138. Fenômeno da absorção e refração das cores. A separação das ondas de luz ocorre pela maneira diferente com que os corpos reagem à mesma.
Penetrando por um prisma, os raios luminosos se desviam em ângulos diferentes para cada comprimento; por isso, dá-se o fenômeno do espectro de cores.
Desviam-se em ângulo menor os raios violetas; progressivamente ocorrem os desvios do azul, verde, amarelo, alaranjado, vermelho.
Em menor desvio estão os ultravioletas e em maior os infravermelhos, aos quais, entretanto, a vista humana não percebe; verificam-se experimentalmente; alguns animais dão manifestação de os perceberem ocularmente.
 
A diferença das cores nos objetos da natureza não é mais que a diferente capacidade que estes objetos têm se separar as cores. Trata-se do fenômeno da absorção e refração por parte dos corpos. A constituição molecular dos corpos é tal que, enquanto umas ondas penetram, sendo absorvidas ou deixadas até a passar através, outras são rejeitadas. Com isso ocorre a separação e a diferenciação das cores dos objetos.
Na verdade as cores pertencem à luz que retornou aos olhos do espectador. Não há verdadeiramente cor nas coisas, mas na luz. Por atribuição, em função à luz, dizem-se de tal ou tal outra cor. Quando um objeto se mostra amarelo, significa apenas que refletiu as ondas amarelas e absorveu as verdes, azuis, violetas, alaranjadas, vermelhas.
 
Sem entender que a cor pertence à luz e não aos objetos que a absorvem e refratam, a inteligência vulgar não consegue entender a afirmativa de que as coisas ditas coloridas efetivamente não têm cor alguma.
Também não se adverte que, ao desaparecerem na escuridão, quando a luz se ausenta, as coisas assim ficam exatamente porque a cor não lhes pertence.
O artista age com a cor, como se ela estivesse nas tintas, mas, na verdade, ele faz uma coisa muito mais complicada.
 
139. Repetimos aprofundando. A disposição dos átomos permite a passagem das ondas de luz. Ocorrem, então, as seguintes situações:
- se a luz atravessa integralmente, a aparência é a chamada transparência;
- se nenhuma onda de luz consegue atravessar por entre os átomos, refletindo-se integralmente, a aparência do corpo se torna branca, tal como a luz integral;
- se a luz é absorvida e transformada no interior do corpo, desaparecendo, por conseguinte a luz, este corpo toma a aparência de preto;
- se ocorre a absorção de umas ondas dentre as ondas de luz e não de outras, que se refletem, a cor do corpo assume a aparência do comprimento das ondas refletidas;
- ocorre ainda o caso da transparência colorida, em que o colorido do objeto transparente é representado pela onda de luz que não conseguiu atravessar, refletindo-se, de sorte a dar uma cor ao objeto transparente, ao passo que as ondas seguiram sua marcha.
Diante disto se infere que as cores dos corpos dependem de modo de absorver e refletir a luz.
 
Já se pode prever que um corpo difere de cor ao ser exposto à luz do sol e a seguir apenas à luz elétrica, ou outra luz qualquer. Não há em todas as fontes de luz o mesmo número de ondas e de dimensão.
Apreciar um objeto em recinto sombreado e depois ir com ele à janela nos mostra a diferença prontamente. O artista usa pintar para o apreciador nas condições ordinárias de luz do sol. Todavia poderia ele pintar para condições diversas, em que cada condição provocasse efeitos por ele intencionados. Desconhecemos exemplos de quem assim tenha procedido. Esperemos que alguém o experimento fazê-lo e tenha resultado.
Alterar a cor de uma superfície, como fazem os pintores, consiste em lhes aplicar finas camadas de outra maneira de refletir e absorver ondas luminosas.
 
140. Ainda sobre os comprimentos de onda de cada cor. São teoricamente bem determinados os comprimentos de onda de cada cor. Distendem-se por áreas vizinhas as impressões semelhantes, que em conjunto recebem o mesmo nome. As limitações exatas obedecem, pois, a critérios subjetivos, oscilantes.
O amarelo real é de 5.80 unidades de onda, nesta altura exata oferece a impressão de um gris sombrio; o que chamamos de fato como amarelo, reflete de 5.00 a 7.00 unidades; nas mesmas condições o azul é de 480 unidades, o verde de 520, o laranja 650, o vermelho 660. Na extremidade violeta o espectro apresenta apenas 390 unidades.
Em esquema, o vermelho reflete de 600 a 700 unidades angstrom (absorve de 400 a 600).
O laranja de 5.700 a 7.000 (absorve de 400 a 570).
O amarelo reflete de 500 a 700 (absorve de 4.000 a 5.000).
O verde reflete de 500 a 600 (absorve de 400 a 500, de 600 a 700).
O azul reflete de 400 a 500 (absorve de 5.000 a 7.000).
O violeta reflete de 400 a 480, de 650 a 700 (absorve de 480 a 650).
 
Comprimento de onda
7.000
6.000
5.000
4.000
Violeta
4.000-480, 650, 700
Azul
4.000-5.000
Verde
5.000-6.000
Amarelo
5.000-7.000
Laranja
5.700-7.000
Vermelho
6.000-7.000
 
(vd Mirador)

 
141. O branco resulta da incidência da luz de todos os comprimentos de onda simultaneamente. A luz dissociada é colorida; a integral é branca.
Isto parece conduzir à interpretação de que a diferença entre o branco e as cores seria apenas subjetiva. Se tivéssemos vista perfeita, - ou seja suficientemente analítica das diferenças, - deveríamos não ver o branco, mas simultaneamente todas as cores, tal como se pudéssemos ouvir o barulho de cada uma das ondas do mar, em vez de ouvir só o marulho azul. Se a capacidade de ver a todas as cores é possível apenas dissociando as ondas luminosas nada impediria que fôssemos capazes de ver distintamente as cores ainda que as ondas viessem misturadas. A vista perfeita não veria luz branca, porém, uma luz estriada de muitas cores, em que cada onda se revelaria a si mesma diretamente. E como não somos capazes disto, vemos a luz sendo branca, ou seja, um tumulto ao qual nos acostumamos.
A fim de que a luz pareça branca, requer-se igual quantidade de todos os tipos de onda. Tal acontece com a luz do sol. A lâmpada elétrica, contendo uma predominância de onda de comprimento médio, emite uma luz amarela clara.
 
Qualquer cor, ao receber mistura de todas as demais ondas, tende a clarear. Isto supõe que as ondas de diferente comprimento, ao se misturarem, não se anulam. A mistura de ondas luminosas tende para o claro. Diferentemente, a mistura de tintas não é fonte de ondas, mas de refração; tende a anular as cores. Cada tinta é um pigmento que absorve um determinado tipo de onda e havendo todos os pigmentos terminam por absorver todas as cores.
Ausente a luz, ocorre aparência chamada preto, ou trevas.
Esta aparência é uma subjetividade da visão. Na verdade nada há então no que concerne às cores.
 
Um raio de luz, ao passar por um prisma, se decompõe em sete cores: vermelho, alaranjado, verde, azul, anil e violeta (ou roxo). O conjunto é branco; o disco de Newton nos permite novamente reunir as cores, com a volta ao branco.


 
142. As cores propriamente ditas se encontram entre o branco e o preto.
Neste contexto não são cores, nem o branco, que embaralha a todas, nem o preto que impede o comparecimento delas. Mas também se admite dizer, que as cores neutras ou acromáticas são o branco, cinzento e o preto, de índole indefinida.
 
Um exame mais cuidadoso mostra que também o vermelho, o azul e o amarelo produzem o mesmo branco (branco-cinzento).
Dali resultou chamarem-se estas cores de primárias, ou fundamentais.
 
Pela combinação de duas cores primárias obtém-se as complementares:
 
- verde, com azul e amarelo;
- roxo, com vermelho e azul;
- alaranjado com vermelho e amarelo.
Estas cores complementares são também denominadas binárias (ou secundárias).
 
Enfim, tem-se ainda as cores terciárias, ou tons, resultantes da mistura de duas cores, uma secundária e outra primária:
- amarelo-laranja resulta de amarelo e laranja;
- violeta-vermelho, de vermelho e roxo;
- vermelho-laranja, de vermelho e laranja;
- azul-violeta, de violeta e azul;
- azul-verde, de azul e verde;
- amarelo-verde, de amarelo e verde.
 
O arco-íris é um fenômeno de várias cores. Efetivamente, ele o mesmo fenômeno que ocorre no espectro, cujas cores ele contém. Mas dentre as sete cores do prisma apenas três são primárias: vermelho, amarelo, azul. As demais resultam da sobreposição das primárias.


 
143. Tintas são corpos líquidos, à base de pigmentos, capazes de revestir com novas cores a outros corpos, com vistas a lhes dar novo aspecto estético, ou mesmo torná-los portadores de expressão artística.
Depois de ressequida, assume a tinta estado sólido, ainda que tão só como superfície.
Ordinariamente o elemento pictórico é um pigmento sólido, o qual é dissolvido em solução líquida, facilitadora da pintura e capaz de provocar a adesão. Se esta solução líquida não é adesiva, completar-se-á mediante mais um elemento, de efeito aglutinante.
Ocorrem, pois, nas tintas três elementos: as pequenas partículas chamadas pigmentos, o líquido chamado solvente, enfim o elemento denominado aglutinante.
A evolução das técnicas industriais das tintas tem influído na própria evolução da pintura como arte. A pintura a óleo, por exemplo, começou com a escola flamenga (séc. XV). Até então, o afresco (sobre reboco fresco) era o expediente mais utilizado, conhecido já pelos egípcios. Os gregos intentaram o encáustico (cera quente).


 
144. Os pigmentos são tomados geralmente à matéria de origem natural. Uns são metálicos, tomados por exemplo, à argila. Outros são vegetais, conseguidos por exemplo da resina das plantas.
Na pulverização a que ditas matérias são submetidas, elas resultam em pigmentos de cera de dois mícrons. Apenas no mosaico a pintura é construída com partículas maiores. Os primeiros mosaicos gregos tendiam à minimização das partículas. O conhecido exemplo é a Batalha de Alexandre contra Dario, que dá a impressão de pintura contínua. Mais tarde, os bizantinos passaram ao mosaico em cores descontínuas em áreas maiores, com o objetivo de efeitos peculiares.
Os solventes vão do mais simples, como a água comum, ao sucessivamente mais complexo, aguarrás, tolueno, benzol e outros.
Alguns tornam as tintas mais fluídas, para objetivos específicos.
 
O aglutinante é o elemento mais decisivo na conservação da pintura.
Dali resultam três gêneros de tintas fundamentais:
- tintas à base de caseína, vulgarmente as "tintas de cola"; a caseína se obtém do leite, de que é uma proteína, e também do glúten, um constitutivo interno das sementes se cereais de qualidade colante;
- tintas à base de óleo, como de linhaça, mamona, tungue etc...
- tintas à base de resinas, quer resinas naturais que transpiram das árvores, inclusive o látex da borracha (pintura, deriva da palavra pez = resina), quer resinas sintéticas, que entraram no uso com a invenção da borracha sintética, desde quando se desenvolveu uma série de tintas vinículas, porque fabricadas com acetato de polivinila.
Enfim, outras tintas vão sendo descobertas, algumas com particularidades mantidas em segredo.
São conhecidas também as modalidades de tintas com base de cal, que se aplicam nos edifícios; e ainda as tintas denominadas vernizes, frequentes no preparo de móveis. Ainda que inadequadas para o exercício da pintura acadêmica, exercem uma importante função, porquanto cobrem a maior parte dos edifícios e dos objetos industriais.

 

 

§2. A cor como um sensível específico e como subjetividade.
3911y146.

 
 

147. Como um sensível, vários são os aspectos oferecidos pela cor:
 
- Antes de tudo a cor é sensível específico (vd 149);
- A cor como subjetividade (vd 155);
- Limiar da sensibilidade (vd 160);
- Adaptação e outras peculiaridades da sensação da cor (vd 166).
 
Este elenco temático interessa bastante de perto à estética das cores. Para expressar adequadamente, a pintura e todos os demais instrumentos de expressão a uma pluralidade de pequenos expedientes.

 

 

I - A cor como um sensível específico.
3911y149.

 
 

150. Gnosiologicamente, isto é, do ponto de vista de objeto a conhecer, a cor se oferece ao conhecimento como um objeto sensível antes de tudo. Não há como começar o conhecimento da cor, senão pelo abrir os olhos e constatá-la.
Ato contínuo, a inteligência cria também um conceito da cor. Mas tudo principia na percepção dos sentidos. Como conceito, a cor é entendida à maneira de verbo ser, isto é, a cor surge como uma declaração em que este conceito é atribuído a algo. Quando dizemos "a cor é cor" conhecemos em termos de pensamento, e não só de sentido; a cor passa a se exercer como sujeito e como predicado, o que é ser mais do que sensação.
 
A perspectiva exata sob a qual um objeto é atingido por uma faculdade se diz objeto específico, ou objeto formal.
Específico, quer dizer que dá a espécie; formal, que dá a forma essencial. Os termos, neste contexto, coincidem no conteúdo, admite-se dizer, forma específica. Portanto, trata-se de saber qual é a perspectiva que dá a forma específica a uma faculdade. Os sentidos alcançam o objeto sob a perspectiva do sensível, que os toca. A inteligência, sob a perspectiva inteligível de ser, como se formula no verbo ser.
 
151. Vários são os sentidos e em consequência várias são as espécies de sensíveis, como cor, som, odor, gosto, toque. É onde mais uma vez perguntamos pelos objetos específicos de cada sentido.
Eis quando se estabelece que a cor é o objeto específico da vista (ou seu objeto formal).
 
É a vista um órgão de estrutura corporal, cuja função específica é ser capaz de receber os elementos físicos que correspondem à cor. A incidência dos fótons sobre o nervo ótico no fundo do globo ocular cria uma reação elétrica, depois conduzida ao cérebro, onde, finalmente, ocorre a resposta gnosiológica em função da qual nós consideramos estar vendo uma cor.
A psicologia fisiológica examina estes procedimentos e colhe a respeito as mais variadas informações, as quais vão servir ao artista da expressão em cor, que, em decorrência passa a conhecer mais eruditamente os fenômenos em que opera (vd ).
 
152. Dentre todos os objetos próprios apresentados aos sentidos do ser humano, - embora isto não aconteça com todos os animais, - é a cor o que nitidamente melhor se apresenta. Mais de vinte variantes pictóricas distintas pertence à linguagem comum, o mesmo não sucedendo com os demais sentidos.
Mais fácil é conhecer as preliminares sobre a cor (objeto da vista) do que sobre os sons (objeto ouvido). O que pertence ao ouvido é sempre mais indefinido do que, o que é da vista. As cores fundamentais e suas primeiras variantes são perfeitamente reconhecíveis, como se advertiu. O mesmo número de tons não se faz reconhecer com esta espontaneidade; é, aliás, frequente o indivíduo sem ouvido musical, todavia capaz de distinguir cores.
 
Dos sons o vulgo não consegue denominá-los pelos distintos tons; deles mal os distingue como fortes e fracos, altos e baixos. Aos odores se refere tão só como agradáveis e repelentes. Aos gostos os taxa simplesmente doces, amargos, picantes. O tato o diz ser duro e brando, quente e frio, dor e prazer. Diferentemente, - as cores se manifestam insistentemente de variada espécie modalidades intermediárias bem mais reconhecíveis.
 
Em virtude das diferenças oferecidas, a cor se mostra um objeto mui apreciado, fazendo até da vista o mais importante dos sentidos do ser humano. Sob esta base, principia Aristóteles sua famosa metafísica, já uma vez mencionada, de que todos os homens desejam saber, sendo prova disto o prazer causado pelas sensações visuais, acrescentando: "A causa é que a vista é, dentre todos os sentidos, aquela que nos faz adquirir mais conhecimentos e nos descobre muitas diferenças." (Met. II. 980a 21-28).
As pesquisas revelaram que cerca de 87% das preocupações das pessoas se encontram na vista, 7% no ouvido, 6% nos restantes sentidos.
 
153. Contudo as artes visuais não dominam até 87% sobre as demais artes. A diminuição desta porcentagem não acontece no consumo das artes e sim na produção. É que há alguma dificuldade para produzir a cor. Enquanto o som se produz fácil, despertando por simples vibração do fundo de nossa garganta, ou de um objeto capaz de agitar convenientemente o ar, as cores dependem do manejamento difícil das tintas e da criação de luz, bem como da maneira de se fazerem receber as ondas de luz.
No passado o homem conseguia produzir a cor quase só mediante pigmentos como nas tintas; hoje não só progrediu a indústria das tintas, como também a imagem colorida passou a ser produzida mediante projeção direta de luz, como no cinema e na televisão. Principalmente foi resolvido o problema da criação da cor em movimento; a pintura apresentava apenas a cor estática.
O som no seu instante estático, muito pouco rendimento fornece; mas consegue espontaneamente alterar-se, assumindo os vários tons; na linguagem se fracciona e se articular de diferentes modos.
Há também uma diferença da arte da cor comparada com a da forma espacial. Estas, - a forma, - é um sensível comum; nesta condição é também alcançada pela vista. Muito mais depressa criamos o hábito da expressão mediante formas, aplicadas à matéria exterior ou mesmo reproduzida em gestos pelas mãos, do que o hábito da expressão em cor. Por isso, quase toda a gente canta, faz gestos e fabrica bonecos, mas não pinta com a mesma segurança, ainda que só para ver sinta mais facilmente a cor do que as formas e os sons.
Todavia, a cor estática exerce já neste seu primeiro estágio poderosa força de expressão, como se vê na pintura; mas, se, além disto ingressar em movimento, como no cinema, é capaz de ampliar imensamente os recursos de expressão.

 

 

II - A cor com subjetividade.
3911y155.

 
 

156. As cores não existem nas coisas, nem nos fótons da luz, mas são maneiras subjetivas de reagir aos fótons da luz.
Este fato compromete seriamente a teoria realista do conhecimento. Se as cores, como as demais sensações forem subjetivas, não passaria o conhecimento de uma cascata de subjetividades. Iniciando o pensamento neste plano subjetivo dos fenômenos sensíveis, tudo o que ele pensasse a partir deles, seria também meramente ideal, sem correspondente realidade exterior. Assim alegava Kant.
 
Já era a subjetividade da cor, anotada pelo filósofo grego pós-socrático Epicuro (324-270 a.C.), ainda que não insistisse em todas as consequências. Advertindo para a variação da coloração assumida pelos objetos em função da luz que os iluminava, dizia que os corpos não podiam ter cor em si mesmos.
No século 16 o filósofo e cientista Renato Descartes (1596-1650) estabeleceu a subjetividade generalizada das sensações, porque não temos como provar que sejam mais que sua aparência.
Portanto, ainda que possamos admitir a realidade dos corpos, eles são sem cor, sem som, sem calor, sem frio, sem gosto, sem odor, mesmo sem ser e qualquer das modalizações conceituadas do ser. Se existem, não sabemos a rigor o que efetivamente são.
 
Ao incidir sobre a faculdade, o objeto cria nos olhos a reação de cor, nos ouvidos a de som, no gosto a de saber, no tato a de calor ou frio, no olfato a de perfume ou mau odor. Certamente a dor não está na coisa que nos pisa, e sim, apenas em nós mesmos.
A cor, que agora nos ocupa, seria nada mais que a resposta psíquica peculiar de uma região nervosa, chamada vista.
 
Para a teoria das cores importava esta consideração gnosiológica para uma sua compreensão exaustiva.
Diretamente para a arte não importa como se interpretem as cores. Cuidando apenas da circunstância técnica de que elas admitem serem transformadas em expressão, tudo o mais todavia cabe com uma compreensão mais profunda do que acontece. O conhecimento teórico, ainda que não se confunda com o conhecimento técnico, o ilumina.


 
157. Fontes da cor. Para a estética, o que interessa destacar é que a luz é fonte da cor. Portanto, não das fontes da mesma luz, mas da luz enquanto fonte das cores.
A fontação das cores pela luz varia contudo conforme as fontes luminosas, que são de três grupos principais:
- fontes térmicas (luz com muito calor),
- fonte de descargas em gases (lâmpadas fluorescentes),
- fontes de arco de grafite, ou carbono (próximo da luz solar).
 
Mas, além da fonte luminosa da cor, há a do objeto colorido. Transformando este em pigmentos líquidos, assume a forma de tinta de passar. Da mistura de todas as cores da luz resulta o branco; da mistura de todos os pigmentos, o preto. Por isso é que misturar luzes não é o mesmo que misturar tintas, pigmentos, objetos.
 
No caso da luz acontece uma soma, com um efeito especial; no caso dos pigmentos se trata das mesmas ondas luminosas, todavia já com interferências, que progressivamente se anulam.
Os pigmentos em si mesmos não possuem cor. Ao incidirem sobre eles os diferentes raios de luz, com todas as suas cores, algumas destas cores são refletidas, determinando em nosso olho a cor do pigmento. As outras cores são absorvidas, anulando-se por conseguinte.
Se forem absorvidas todas as cores, o resultado será o preto, conforme já se explicou. Ora, este resultado difere do da mistura de luzes de todas as cores e onde nenhuma é absorvida; esta mistura de luzes de todas as cores resulta em sensação de luz branca.
 
158. A partir da variação nas fontes de cor se explicam mais fenômenos, que acontecem nas misturas de tintas.
Em função das fontes da cor, criaram-se denominações específicas:
- cor natural,
- cor aparente ou acidental,
- cor induzida.
Cor natural, é a que se encontra nos objetos como eles existem na natureza. São inúmeras, além do branco e do preto.
Cor aparente (ou acidental) é a que, não sendo a natural, apresenta formas variáveis em função das condições de luz ambiente, ou de outras cores. Conhece-se que uma luz vermelha empresta um colorido cor de rosa suave ao que se encontra em torno.
Cor induzida é a que se estabelece sob influência de uma cor dominante. No jogo dialético de cores que se induzem está a beleza cromática de alguns panoramas naturais e de criações artísticas de hábeis artistas.
 
Cor dióptrica é a que surge pela dispersão da luz sobre vários corpos, que por sua vez a refletem de diferentes posições. Tal acontece no prisma, gotas de chuva, orvalho, de chuva (arco-íris), lâminas finas, manchas de óleo sobre a água.
Cor catóptrica é a que se forma nos corpos opacos, os quais absorvem umas espécies e refletem com sua cor o restante.


 
159. As cores e o olho. A percepção ótica das diferenças de cor se processa pelos cones e não pelos bastonetes, ambos entretanto sensíveis à luz. Trata-se de prolongamentos das células da superfície da retina (fundo do olho).
No início do sistema de percepção se encontram efetivamente dois tipos de células, umas com prolongamentos de forma cônica, outras com prolongamentos de forma longa; estes prolongamentos são denominados por isso de cones e bastonetes, sendo por eles que principia todo o processo de percepção luminosa e de cor.
Ambos os tipos de células nervosas fazem sinapse com células de uma grande camada, chamadas células bipolares, a continuar de onde novos processos conduzem a percepção em direção do cérebro.
 
A natureza da percepção filosófica se esclarece com a teoria de Young-Helmholtz da visão cromática. Anteriormente se supunha que a diversificação das cores fosse de transformação apenas dos corpos atingidos pela luz.
Os primeiros resultados científicos de Descartes sobre a refração e os de Newton sobre a diversidade de componentes luminosos, foram completados em 1807 pela teoria do já citado médico e físico inglês Thomas Young, estabelecendo nervos especializados para a percepção das diferentes cores. A explicação foi aperfeiçoada pelo filósofo e cientista alemão Helmhotz.
A visão mais simples se processa através dos bastonetes, reduzida basicamente a uma percepção de contorno do objeto, por contraste entre o claro e o escuro. A maior sensibilidade dos bastonetes faz com que estes ainda percebam os objetos em claro-escuro, quando de há muito os cones já deixaram de distinguir as cores.
Percebe-se a cor por excitação dos cones, a partir de um certo nível de iluminação ambiente, capaz de decompor o pigmento fotoquímico neles existente. A diversidade, por sua vez, da cor se processa pela diferença da substância fotoquímica de cada cone, sendo necessária a diferença de comprimentos de onda para decompor a substância correspondente ao vermelho, ao verde, ao azul. Depende, pois a cor da diferença química e da diferença da onda de luz.
Não há no homem receptor específico para o amarelo.
A partir desta decomposição diferenciada de substâncias se gera a corrente elétrica, que vai finalmente gerar no cérebro a sensação das cores respectivas. Em última instância, o fenômeno sempre se assemelha ao de qualquer outra atividade nervosa, cada uma ligada a uma atividade elétrica.
Por razões difíceis de esclarecer fisiologicamente, da percepção simultânea de várias cores resulta uma nova cor. Por exemplo, vermelho e azul dá violeta. Todas as cores em conjunto geram o branco. A ausência de todas dá o preto (ou cinza). Esperar-se-ia logicamente que houvesse o predomínio de uma das cores, e não uma nova cor. É possível pensar que a ação conjunta, ainda que mantenha em separado a ação de cada cone, gera correntes com interferências tais, que realmente nenhuma conserva sua especificidade, gerando em consequência uma nova cor.
Cor retiniana, é a denominação que uma cor receber em função à participação dos procedimentos fisiológicos da retina. Basicamente, toda a cor é retiniana, porque depende da retina, ou seja dos cones. Mas se entende por cor retiniana, as caracterizações que ela ainda recebe por participação da retina na produção da sensação da cor, ao transmitir ao cérebro impressões que retêm, modificam de um novo modo ou mesmo complementam o efeito colorístico dos estímulos luminosos recebidos. São mais notáveis, como cores retinianas as misturas óticas, as imagens posteriores, os efeitos de deslumbramento.

 

 

III - Limiares da sensibilidade.
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161. A subjetividade das cores e a delicadeza do órgão da vista coloca todo o affaire das cores dentro de um esquema de níveis de sensibilidade em que os diferentes níveis, ou limiares, merecem especial atenção.
Há a destacar as diferenças de sensibilidade dos comprimentos de onda e os níveis de sensibilidade da vista para a incidência suficiente de luz.
162. O olho humano começa a perceber as ondas de luz a começar de 4.000 unidade angstrom (ou 4.000 milimícrons), dali continuando até 7.600 unidades A’, depois das quais outra vez continua insensível.
Neste espaço de ondas perceptíveis se encontram sucessivamente o azul, o amarelo, o vermelho.
As ondas mais além são acusadas pelo sentido térmico, mas não sob a perspectiva de sensação de cor. O tato se excita ao infravermelho, de metragem longa, aquém das 390 unidades A.
A pele também se tisna e reage fisiologicamente às ondas ultracurtas, ultravioletas, acima das 7.600 unidades ‘A’.
Como resultado de experiências cuidadosas, acredita-se que os pássaros não percebem as ondas azuis, mas em contrapartida as ondas ultravermelhas. Para os cantores do céu, este não seria azul... Mas, outros coloridos abrilhantariam seus olhos. O mesmo aconteceria com os insetos em geral.
Os daltônicos não percebem determinadas cores; confundem também umas com outras. Geralmente só percebem azul e vermelho; confundem o amarelo com o verde, ou azul com o violeta.
O cão e o boi são sensíveis apenas à luz e não às cores; para estes animais o mundo é como cinema em preto e branco. A investida do touro ao vermelho se deve à maior luminosidade do vermelho, mas não à cor em si, que ele não parece ver. Considerando que em geral as mulheres usam cores mais luminosas, poderão por isso ser atacadas preferencialmente por estes animais. Os bois agem também diversamente diante de homens brancos e homens negros.
A criança até aos dois anos distingue vagamente as cores, reagindo antes à luminosidade. Pouco reage ao azul, a menos luminosa das cores. Dali suas preferências pelo amarelo e vermelho, nas vestes, nos brinquedos. Os aposentos de criança são mais aceitos quando alegrados com estas cores mais vivas, ou frisadas com elas.
Também há seres humanos patológicos que não vêem cores, mas apenas a luminosidade em preto e branco.
 
A sensibilidade dos bastonetes e cones também obedece a níveis fora dos quais a operação deixa de ocorrer.
Os bastonetes se situam dominantemente na periferia da retina. Próximo à fóvea dominam os cones. Os bastonetes funcionam à penumbra. Os cones exigem a luz normal. Não se readaptando a fóvea convenientemente à escuridão, resulta que seus cones deixam então de ser sensíveis às cores.
O foco da vista é na fóvea, que no escuro não funciona. Mas por ser este o foco, na penumbra vem-se melhor os objetos, se não forem fixados diretamente.
A falta de vitaminas parece prejudicar a visão noturna, por dificultar a adaptação da púrpura visual.
A retina humana é mais sensível aos comprimentos médios de onda; dali resulta a predominância do amarelo, com 580 milimilímetros.
Os daltônicos com cegueira total de cores percebem apenas estímulos que nós chamamos de cinza e que variam do claro ao escuro, conforme a cor.
Peculiar é a situação dos que são daltônicos de um olho só, perfeitos com o outro; com um percebem os claros e escuros, com o outro as respectivas cores.
Somente se conhecem daltônicos de sexo masculino.
 
163. O impacto sobre a vista da luz se exerce dentro de limites ideais. Acima destes limites tende a desagradar por excesso; abaixo, tende a produzir sensação de falta.
Tomando o lux por medida (fluxo de um lúmen por metro quadrado) a intensidade ideal oscila entre 100 a 700 lux. A oscilação atende à função que os olhos têm a exercer, e de acordo com a qual reclamam menos, ou mais luz.
Para a vista despreocupada, como em refeitórios e salas de estar ou de conferência, a cor ideal é de 100 a 200 lux.
Luminosidade média, como de bibliotecas, salas de aula, ambientes de trabalho, recomendam de 150 a 350 lux.
Finalmente, atividades de precisão, tais como de datilografia e contabilidade, se exercem com 350 a 700 lux.
 
164. A diversidade específica das cores influencia a luminosidade dos ambientes. O branco mais branco, como o do óxido de magnésio, reflete 98% da luz incidente. O cinza-claro, o azul, o laranja refletem apenas 50%.
Resulta uma relação considerável de lux, no ambiente, alterando a luminosidade de uma sala, somente com a mudança das cores, sem que, de outra parte, se modifique o quantum proveniente da fonte de luz.
Em consequência, a variação no efeito de sensibilidade, não se deve apenas ao que cada espécie de cor oferece, mas a alteração objetiva de número de lux.


 
 
IV - Adaptação e outras peculiaridades da percepção humana da cor.
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167. Peculiaridades do olho humano interferem na visão da luz e das cores e que o artista leva em conta, ainda que para a física não tenham significação, por falta de objetividade.
Comecemos por referir que a vista atende em direções precisas, como que num só eixo, portanto sem universalidade panorâmica. O ouvido escuta, pelo contrário, sons que vêm de todas as direções.
 
Cor cambiante é a que varia com a posição de onde é apreciada.
A vista deve saltitar de um ponto a outro, até completar o campo da visão. Pergunta-se, então, qual o tempo necessário de estacionamento para tornar efetiva a visão e quanto tempo perde na mudança de um ponto para outro. Estas limitações antropológicas decidem a velocidade do ritmo das partes em sucessão, em que um todo se divide para ser apreciado.
O processo mais regular de progressão é certamente o linear como o exercemos na leitura, passando por sucessivos pontos de fixação. Na leitura dispende-se 1/15 de segundo no movimento de um ponto de fixação para outro. Para tornar útil a fixação precisa-se de um tempo maior. Geralmente na leitura se gastam 10% do tempo em saltos e 90% em fixação.


 
168. O fenômeno do retraimento diversificado dos cones. A adaptação da vista à cor não é apenas um controle pela íris da entrada da luz. Os cones e bastonetes obedecem a uma adaptação, enquanto se ocupam com uma determinada cor e também quando transitam para outra.
Um retraimento ocorre na substância colorativa dos cones, enquanto atendem à cor respectiva. Se observarmos vinte ou mais segundos uma área vermelha, os cones vermelhos se retraem, adaptando-se.
Não ocorrendo o mesmo com os demais cones (azul e verde), ficam estes numa outra situação e em disponibilidade, se então mudarmos a vista para um outro campo, por exemplo branco, ou preto, só estes dois operam no primeiro instante; na incidência combinada de azul e verde, tem-se então a impressão de verde. Tão logo os demais cones retornem à espontaneidade natural, desaparecerá o fenômeno. Verde é complementar de vermelho. A adaptação se faz, portanto, com uma relação para a cor complementar.
Apresenta-se agora uma situação que admite dois tratamentos, que poderão influir sobre o maior e o menor trabalho das células dos cones. Se o trânsito se fizer para uma cor complementar do campo originário, retém-se algo da situação originária; não se obriga o olho a uma atividade inteiramente nova e cansativa. Na hipótese de se o não fazer, o trânsito obriga a um esforço maior.
 
Vem, pois, o uso da cor complementar, oposta a que se viu em área anterior maior, ao encontro da vista. São, portanto, recomendáveis as harmonias complementares. Utilizam-se, aliás, na pintura dos interiores. Realçam a cor básica, ao mesmo tempo que apresentam sem cansaço a cor complementar (que lhe é oposta no disco das cores). Vermelho tem a sua complementar no verde, azul no laranja, amarelo no violeta.
As melhores harmonias são as complementares, porque não cansam, isto é, permitem o descanso dos cones. Enquanto uma das cores ocupa um dos cones, a outra (a complementar) ocupa os outros; ora trabalham uns, ora outros.
 
Nas fábricas a harmonia complementar se cria dando às paredes a cor complementar aos objetos industriais que ocupam os operários. Se os objetos são predominantemente vermelhos, as paredes poderão ser verdes; se os objetos forem alaranjados, as paredes assumirão o azul, complementar de laranja, se forem violetas, as paredes serão de tonalidade amarela.
Para o dentista, ocupado no vermelho cor de rosa da boca, o complementar conveniente é o verde claro. O mesmo valerá na composição das cores de escritórios, salas de estar, etc., desde que se queira diretamente o descanso.
 
O trânsito de uma intensidade à outra, a passagem de uma cor à outra, obedece a um certo tempo de adaptação. Dali resultam vários fenômenos subjetivos, na percepção da luz e das cores em movimento. Os raios de uma roda, em giro muito rápido, se fundem entre si. Uma girândola em combustão se transforma em círculo brilhante. Um foguete em disparada, em noite de festa, aparenta uma linha alongada de luz. De noite, a luz dos relâmpagos é mais longa do que a da faísca real acontecida.
O halo de luz que acompanha a vista, ao caminhar de objetos mais luminosos e grandes para objetos menores, resulta da permanência da impressão anterior. Até mesmo a forma de objeto longamente fixado se transpõe para o novo plano, para onde segue a vista.


 
169. A irradiação actínica é um fenômeno curioso e de notável reflexo na pintura, de que se valem os artistas mais hábeis. Consiste na forma radiante que um ponto luminoso assume à distância. Por causa dela, os corpos celestes, – palpitantes já por outras razões –, apresentam uma radiação, que os faz serem apresentados sobre a tela como «estrelas» de algumas pontas.
Origina-se o fenômeno no desprendimento da luz branca, alterando-se as feições do objeto, por alargamento.
 
Acentua-se o fenômeno da irradiação actínica com a intensidade da luz, particularmente opondo o preto e o branco.
Um disco branco sobre tela preta, parece maior do que na realidade é. Pela inversa, um disco preto, sobre tela branca, é diminuído pela invasão circundante.
Letras brancas ao lado de pretas parecem maiores que as suas companheiras.
Espetáculos óticos similares ocorrem com as linhas e formas. São do particular interesse da estética das formas. Operando a pintura em aliança com as formas, também lhe importam indiretamente.

 
 
Figuras com alternação preto e branco

 
170. Refrangibilidade e contraste. O olho se acomoda a cada cor em separado e, ao transitar de uma para outra, fica a percepção da nova sob influência da anterior. Fixando-se por mais tempo numa cor, ela aumenta de intensidade na percepção e mais influencia a visão da seguinte para a qual seguir o olho. Também influi a grandeza da área.
O trânsito de uma cor de intensidade maior para outra de intensidade menor leva consigo uma sensação persistente da anterior, que se sobrepõe à segunda, influenciando-a portanto. Distende-se uma escala decrescente para toda a área circundante. Dali o fenômeno dos contrastes, que divergem em função ao tipo de trânsito.
Complexo e subtil se apresenta a questão dos contrastes, em virtude da variedade e valor das cores e circunstâncias de área.
 
171. O contraste se opera com subtilidades, a que o artista hábil atende meticulosamente e tira partido.
Maneira prática e simples de fazer verificações diretas, consiste em cortar papéis de variadas cores, em tamanho de cinco centímetros, em quadro, outros em redondo, em oitavado, para sobrepor ao campo.
De maneira geral, a cor sobre branco parece mais escura (menos valor); sobre preto, mais clara.
O gris também aclara a cor. Faça-se a experiência, criando um campo branco, outro preto, outro gris, mediante papel. Ponha-se um círculo menor no centro, de uma cor qualquer, por exemplo, vermelho. Observar-se-á que o vermelho é menos intenso sobre o branco, porém mais claro e intenso sobre o preto e o gris. Depreende-se dali que o traje de etiqueta escuro masculino realça o colorido feminino. O gris sobre preto parece mais claro; mais escuro sobre o branco.
O branco sobre o preto se realça menos, que o preto sobre o branco.
Cor sobre cor, apresenta-se ainda menos intensa. Ponham-se três campos, sucessivos, branco, cor azul, preto. A seguir, coloque-se em cada campo, o mesmo vermelho. Observar-se-á que a cor vermelha aparecerá menos intensa sobre a cor, um pouco mais intensa sobre o branco, enfim, com a maior intensidade sobre o preto.
O brilho do branco tende a estimular as cores, reflete a luz e aumenta o tamanho. O preto funciona em direção inversa, absorvendo a luz e reduzindo o tamanho. Dali os efeitos do branco, que realça o tamanho das casas, mesmo quando pequenas, ou a altura dos telhados.

 
(desenhos)
 

 
172. Cores entrantes, cores profundas. A experiência distingue entre cores entrantes (amarelo, vermelho, laranja), que parecem sair do seu plano e vir ao encontro do observador, e cores profundas (azul, verde, violeta), que parecem afastar-se para trás de seu plano. As cores que saem ao encontro são agressivas; diminuem a impressão de distância. As profundas afastam.
As primeiras, as entrantes, imprimem também a impressão de mais largura.
O fenômeno encontra base na maneira de serem recebidas estas cores na retina. O foco das cores quentes se projeta atrás da retina, ao passo que as demais na frente. Ainda se observa que a lente ocular se apresenta mais convexa; isto também explica o alargamento da área das cores quentes.
Para as cores frias, a lente assume posição menos convexa, o que explicaria a aparente diminuição de área desta cor. Pela ordem, a maior dimensão aparente é do amarelo, seguida do vermelho. Verifica-se que o branco, ainda que de área amplificada, vem após o amarelo e o vermelho.
 
173. Conclui-se a respeito da natureza fundamental da cor, - tanto do ponto de vista físico, em que ela comparece ligada à luz, quanto do ponto de vista gnosiológico, em que ela surpreendentemente se revela como subjetividade, - que ela é um dos fenômenos mais curiosos, que afronta aos pesquisadores da ciência física e da ciência filosófica.
Não obstante este desafio oferecido pela natureza fundamental da cor, ela se apresenta ao uso ordinário de todos os seres. Estes mais se ocupam com as cores em espécie, porquanto pelos seus graus de diferença, elas se tornam úteis, inclusive na pintura.
A compreensão total da estética das cores fica, contudo na dependência da natureza mesma das cores, desde seu fundamento.


 
 


Art. 2o. DAS ESPÉCIES DE COR EM PARTICULAR.
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175. Dada a diversidade das cores, importa determinar a especificidade de cada uma.
suas respectivas propriedades. Antes destas respectivas propriedades, há que determinar claramente as espécies mesmas de cor.
 
Dali decorre o seguinte esquema didático, por parágrafos:
- Classificação das cores (§ 1.), (vd 177);
- Vermelho puro, vermelhos binários e terciários (§ 2.) (vd 203);
- Azul puro, azuis binários e terciários (§ 3.) (vd 209);
- Amarelo puro, amarelos binários e terciários (§ 4) (vd 214);
- Violetas (§ 5.) (vd 220);
- Verdes (§ 6.) (vd 226);
- Laranjas (§ 7.) (vd 232);
- Pardo, gris, cinzento (§ 8.) (vd 238);
- Branco, negro ou preto (§ 9.) (vd 245).
 
Em tratando das cores especificamente, ainda não cuidamos de suas propriedades, como se deverá fazer logo a seguir (vd =). A sistematicidade é constantemente rompida, porque, adiantando algo sobre as propriedades, sustenta-se melhor o que é efetivamente específico.

 

 

§1. Classificação das cores.
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178. A cor pode ser vista como um gênero, a reunir espécies de cor, por exemplo, o vermelho, o amarelo, o azul, o verde, com diferentes comprimentos de onda. Do mesmo modo o som, como gênero, contém sob sua denominação várias espécies de sons, chamados tons, colocados em diferentes alturas da escala musical.
O questionamento sobre a classificação das cores não é pacífico. Importa primeiramente nos demorar neste questionamento, para depois sair para as tentativas de classificação.

 

 

I - O questionamento sobre a classificação das cores.
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181. Há a distinguir entre espécies de cor e propriedades da cor, diferenciando-se estas para cada espécie. Como derivações que são, as propriedades decorrem a seu modo de cada espécie, acentuando as diferenças especificas, sem todavia as alterar.
As propriedades podem dar-se no valor de luminosidade e grau de saturação. Ainda são propriedades da cor efeitos extrínsecos, como a psicodinâmica e a esteticidade da mesma. A cor tem ainda as propriedades de ter grau, contraste, semelhante. É por ter semelhante que ela vai, finalmente, servir de instrumento de expressão do assemelhado.
 
Ordenando o tratamento da questão sobre as espécies de cor, não sem nos referir de quando em quando às suas propriedades, há a determinar portanto em primeiro lugar a classificação das cores, por exemplo, em primárias, secundárias, terciárias, quaternárias.
 
182. O que importa fazer é determinar onde está a diferença específica que separa as cores de outras cores. De, por exemplo, se classificar as espécies de cor em primárias, secundárias, terciárias, quaternárias, se deve determinar onde, além do gênero, se encontra a diferença específica.
 
Este assunto não é pacífico, como tem parecido. Também não é pacífico, como determinar onde se encontram os denominadores comuns, em virtude de quais cores especificamente distintas se reordenam em subgêneros progressivamente, até encontrar o seu gênero supremo de cor.
 
A questão da especificidade de uma cor não pode ser determinada apenas pelo comprimento de onda, ainda que o contexto possa determinar o restante da noção. Esta definição de espécie de cor se reduz a uma definição genética, ou operacional, porque na verdade somente menciona a espécie de onda luminosa que vai estabelecer a reação fotoquímica no cone da visão.
A cor ainda não é nem mesmo esta reação posterior ao comprimento de onda. A relação de comprimento de onda e a reação fotoquímica não passam de referenciais com que se pode mencionar a espécie de cor.
 
A organização de um quadro de cores, a partir da própria espécie da cor, não dispõe portanto de elementos muito claros, e não pode no atual estado das coisas operar senão através de referências, que são apenas menção à origem remota das mesmas.
 
183. Colocada a dificuldade de como determinar a diferença específica entre as cores, fica logo também posta a dificuldade sobre como determinar quantas seriam as cores específicas.
Ainda que as línguas primitivas tenham poucos nomes para denominar cores, e ainda que de ordinário o homem comum não cuide de aprender as diferencias para denominar as muitas cores, só vagamente se apercebe que a variação numérica das mesmas é muito grande.
Quem se dedica ao aprendizado das cores, mui depressa chega a um elevado número de diferenciações. Passam a aumentar, ao ponto de já haver tantas cores, quantas são as palavras de um dicionário, pois acreditam alguns que um observador perito poderá distinguir até 100 mil cores.
Mas, é possível que as cores ainda sejam em maior número. Teoricamente, um espectro-fotômetro poderá distinguir dois milhões de cores, levadas em conta as diferentes possibilidades de variação. Para os estetas e artistas subtis esta variação de cores possibilita os mais diversos recursos, para o prazer de conhecer e para os recursos de expressão.
 
Poderíamos então dizer que teoricamente as cores são tantas quantas as diferenças de ondas eletromagnéticas se estabelecessem? Parece que não.
A diferença de comprimento de onda não é a causa direta da geração da cor. Ao incidir sobre o cone, provoca a reação fotoquímica a qual poderia tanto dar-se com um comprimento de onda ligeiramente maior como ligeiramente menor. Na sequência causal da visão a ação fotoquímica está mais próxima da produção da cor, do que a ação da onda luminosa.
Portanto, em princípio, não podemos induzir que cada diferença de onda de luz corresponde teoricamente a uma nova cor. Sabemos somente que a reação fotoquímica de uma cor se dá a partir de um certo limiar de comprimento de onda, sendo diferentes os limiares, no caso do olho humano, dos três cones, que respectivamente geram o vermelho, o verde, o azul.
Com as transformações genéticas da ciência futura poderão os sábios aprender a dar a cada qual alterações capazes de fazer ver as cores que desejar, como se troca de óculos.
 
Corre-se o risco de confundir as referências à origem causal das cores com a própria especificidade das mesmas. Conforme já advertido, o comprimento de onda da luz não é a mesma cor. Também não é a mesma cor a reação fotoquímica acontecida nos cones. A cor é o que vem depois, como algo de subjetivo representado pela sensação.
 
184. Na sequência destas advertências sobre a dificuldade de determinar a diferença específica entre as cores, importa considerar também que a ordem entre cores primárias, secundárias, terciárias, quaternárias não significa necessariamente que estas cores sejam em si mesmas um produto sucessivo e até um produto composto.
Se a mistura, cada vez mais complexa, dos comprimentos de onda e das reações fotoquímicas, gera sucessivamente tais outras cores, também estas outras cores são subjetivas. São apenas a sensação, e não se confundem com a complexidade progressiva de suas causas eletromagnéticas e fotoquímicas.
 
Resultantes de um procedimento causal mais complexo, poder-se-iria até alegar uma inversão de valores na escala das cores.
Pela sequência meramente causal, seriam mais importantes as assim chamadas cores primárias, depois, as secundárias, depois as terciárias e finalmente as quaternárias. Mas pela sequência de valor, seriam primárias as quaternárias; seriam secundárias, as terciárias; seriam terciárias, as secundárias; finalmente, seriam quaternárias, as primárias.
 
De fato, porém, a imagem sensitiva de qualquer cor talvez seja igual no seu valor. Aquela sequência causal é apenas operacional, ou seja, das causas que ocasionam, mas não produzem diretamente as cores; efetivamente estas são a resposta subjetiva da faculdade sensitiva.
Cabe bem citar aqui observação de Goethe a propósito da atividade do sujeito na formação das imagens da cor.


 
185. Classificações propostas. Não havendo outro modo conhecido e eficaz de classificar as cores senão através dos referenciais, que mostram a sua origem (comprimentos de onda, reação fotoquímica, sequência operacional), podemos destacar esta forma descritiva de defini-las como espécies que se classificam dentro destes procedimentos.
Mas, continuemos advertidos sempre de que não depende do seu referencial causal exterior a definição essencial de cada espécie de cor. Ela, em absoluto, não é essencialmente nem primária, nem secundária, nem terciária, nem quaternária.
 
Cientistas renomados trabalham na classificação das cores de que as duas primeiras importantes tentativas de ordenamento classificatório foram o disco de Newton e a estrela de Goethe.
No disco de Newton se apresentam as cores pela ordem do espectro e se mostra o branco como a mistura de todas as cores.
Na estrela de Goethe, com as três cores primárias no centro, as seis secundárias por fora, as primárias estão diametralmente opostas às suas complementares.
 
Seguiram-se outras tentativas classificatórias.
Johann Heinrich Lambert (1728-1777), físico, filósofo e matemático alemão, nascido francês, tentou em 1772 uma organização em pirâmide. Em etapas sucessivas de altura, pôs quatro triângulos. Localizou todas as variantes de cor, tendo por fundamentais: goma-guta (amarelo) e azul da Prússia (azul).
Michel Eugène Chevreul (1786-1889), físico e químico francês, em 1839, tentou dispor radicalmente em um círculo 72 variantes de cor, com 20 gradações de branco e preto. Alcançou 1.440 cores classificadas.
Hering, em 1878, introduziu o triângulo equilátero, subdividido em quadrados. Nos vértices colocou a cor pura, a branca, a preta respectivamente.
O alemão Oswald desenvolveu o sistema de Hering, conduzindo o tratamento das cores para uma desenvolvida sistemática. Suas cores fundamentais são: vermelho, alaranjado, verde, amarelo, verde-mar, azul-turquesa e violeta. Construiu um círculo de 24 cores radiais em grupos de três, em que a do meio é a cor pura respectiva.


 
186. Grande sucesso teve o trabalho classificatório do pintor norte-americano Albert Henry Munsell (1858-1918), que criou seu sistema em 1912, amplamente exposto no Atlas do Sistema de Cores Munsell (Atlas of the Munsell Color System, 1914), em 1942 adotado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos da América, ou seja, pela Associação Norte-Americana de Normas. Depois da morte de Munsell foram rigorosamente determinados os comprimentos de onda, brilho e saturação das amostras do Munsell Book of Color.
A classificação de cores Munsell não somente as divide em espécie de cor (que chama de matizes), determinadas pelo comprimento de onda, valor da cor definida pelo brilho, saturação da cor (que chama de croma), indicada pela pureza. Os três parâmetros de classificação das cores dizem respeito, por conseguinte, à espécie de matiz, ao valor do brilho, à intensidade cromática.
Globalmente, o sistema de cores Munsell apresenta uma árvore de 10 cores maiores: vermelho, amarelo, verde, azul e púrpura (cores principais), vermelho-amarelo, amarelo-verde, azul e púrpura, azul-púrpura, púrpura-vermelho (intermediárias). A escala de valores em 10 parte do intenso preto e vai ao branco puro.
 
Importa considerar que não se pode confundir o que divide as cores essencialmente em espécies (matizes), com o que apenas se refere a graus de realização (brilho e saturação).
As subclassificações a partir dos graus de realização expressam, por conseguinte, meras classes acidentais não verdadeiras subdivisões de espécie.
A classificação de Munsell não está, portanto, na sistemática de uma categoria lógica porfiriana em que indivíduos se enquadram numa espécie, as espécies se ordenam em gêneros que, por sua vez, se ordenam em gêneros cada vez maiores e, finalmente, num gênero supremo. A rigor, as espécies têm uma classificação; os brilhos têm sua outra classificação; finalmente, a saturação também se ordena classificatoriamente. Por isso, melhor seria cada cor específica ter sua árvore e não estabelecer uma só árvore com as variações.
 
187. A partir da classificação de cores Munsell e novos aperfeiçoamentos desenvolveram-se instrumentos capazes de identificar rigorosamente as cores, de sorte a substituir o apelo empírico à vista humana.
Estes instrumentos passaram a ser conhecidos como colorímetros e sua técnica como colorimetria.
Em consequência, ao lado da nomenclatura criada pela linguagem comum no decorrer dos séculos, formou-se uma nova maneira de se referir às cores, em que o matiz, o valor, a cromaticidade são objetivamente determinados.
 
Uma classificação científica faculta a referência abstrata às cores, ora apenas pela espécie, ora pelo valor, ora pela saturação cromática.
As denominações comuns se referem à chamada cor natural. Estas é simplesmente indicada como um todo concreto, tal como se apresenta na natureza. Que é, por exemplo, um Vermelho Pompéia? É um vermelho-laranja intenso. Ali estão elementos como de espécie e de valor, talvez ainda de intensidade cromática.
Em consequência, não conseguimos tratar das espécies de cor (isto é, de sua classificação) sem frequentes referências às suas propriedades. Esta mistura de elementos ocorre sobretudo na linguagem vulgar. Todavia tem sua base antropológica, em vista de não termos habitualmente uma noção clara que divide as espécies de cor e as suas propriedades.

 

 

II - Em especial sobre a classificação das cores em
primárias, secundárias, terciárias, quaternárias.
3911y189.

 
 

190. A conhecida classificação das cores em primárias, secundárias, terciárias, quaternárias se diz do ponto de vista de sua origem, ou pela sua causa operacional.
Apelando a uma analogia com a escala musical, que se repete sobre si mesma, de oitava em oitava, poderiam as cores distribuir-se também em escalas sucessivas. As escalas mais altas seriam as cores fundamentais; pela mistura declinariam; as mais baixas seriam as cores terciárias. Haveria também escalas nas cores não perceptivas pelo homem, isto é, no ultravioleta e no infravermelho.


 
191. Cores primárias são:
- azul,
- amarelo,
- vermelho.
 
Dizem-se primárias as cores que não resultam de outras cores. Elas simplesmente se estabelecem assim. Não podem, portanto, ser obtidas pela mistura de outras cores, ou seja, por mistura de diversos comprimentos de onda.
Às vezes as cores denominadas primárias se dizem gerativas, em virtude de gerarem as demais. Esta denominação tem o defeito de considerar as demais como não gerativas; elas, todavia, também geram as cores que lhes são subsequentes subsequentes.
 
192. Ainda que as cores primárias para os pintores sejam o azul, o amarelo e o vermelho, para os físicos podem ser ditas primárias o vermelho, o verde, o azul, em vista dos cones da vista, onde as reações primárias decorrem da luz vermelha, verde e azul.
Não se pode definir o que é simples, senão descritivamente, advertindo para o que diretamente se constata e se entende como sendo o que é. Então o azul é o que faz ser azul; amarelo é o que faz ser amarelo, o vermelho é o que faz ser vermelho.
Uma definição descritiva pode fazer-se apontando para relações, como de origem, de dimensão, de semelhança. Nesta direção definitória, cores primárias são as que geram as demais por mistura, e então temos as definições genéticas e que se dão por pares:
- azul é a cor que gera o verde, em mistura com o amarelo;
- azul é a cor que gera o violeta, em mistura com o vermelho;
 
- amarelo é a cor que gera o verde em mistura com o azul;
- amarelo é a cor que gera o laranja em mistura com o vermelho;
 
- vermelho é a cor que gera o violeta em mistura com o azul;
- vermelho é a cor que gera o laranja em mistura com o amarelo.
 
Utilizando uma relação de dimensão, ocorrem as definições, por exemplo por unidades angstroem:
- o azul se define como resultante do comprimento de onda luminosa extrema de 3600 unidades «A»;
- o amarelo, por 4000 unidades «A»;
- o vermelho, por 7000 unidades «A».
 
Por semelhança se define:
- o azul como a cor do céu sem nuvens: do mar profundo em dia claro, da cor da safira; do anil.
- o amarelo define-se como a cor da gema do ovo, do ouro, do topázio, do enxofre.
- o vermelho se define como sendo a cor do sangue, da papoula, do rubi.
 
Quando se define descritivamente as cores primárias, alegam-se as propriedades. Então se trata de uma definição por inferência, porque a propriedade tem derivação necessária da natureza à qual pertence.
A definição pelos efeitos, por exemplo, os efeitos psicodinâmicas, também ilustra a definição descritiva.
 
Finalmente mencionamos a definição nominal das referidas três cores primárias.
Azul deriva do persa lazurd, como referência al lápis-lazúli. Dali passa ao semita árabe Lâzaward, ao latim medieval azzurum, ao francês azur, ao espanhol e português azul.
Amarelo deriva do latim amarillus, como diminutivo de amarus (= amargo).
Vermelho do latim vermilium, que significa vermelhão, cor postiça para o rosto. Outros dizem que de vermiculus, vermículo. Quanto ao rubro, rojo, em espanhol, corresponde ao latino ruber (= rubro), que finalmente faz parte da raiz indo-européia rudh- ou reudh de onde red (= vermelho em inglês), rot (vermelho em alemão), rubi pedra preciosa vermelha.


 
193. Cores secundárias, ou complementares, são as que resultam da mistura, em partes iguais, das cores primárias. São:
- verde (azul+amarelo),
- laranja (vermelho+amarelo),
- violeta (vermelho+azul).
 
As expressões cor gerada, cor derivada ou cor composta têm, conforme já advertido, apenas sentido operacional, porque derivam por mistura das causas.
Denominam-se cores secundárias para o pintor o verde, o violeta e o laranja. Para o físico: ciano (azul esverdeado), magenta (violeta púrpura), amarelo.
 
Como se evidencia, as cores secundárias se definem em função de relações extrínsecas de origem, e em mistura de partes iguais, de duas primárias: partes iguais de azul e amarelo para formar o verde; de amarelo e vermelho, para o laranja; finalmente, de vermelho e azul, para o violeta.


 
194. A mistura desigual de duas cores primárias, ou de uma primária com uma secundária, resulta em cores secundárias intermédias.
Indicam-se citando em primeiro lugar a cor primária, seguida do nome da anexa. Em conseqüência nascem mais seis cores: azul-verde e azul violeta, amarelo-verde e amarelo-laranja; vermelho-laranja e vermelho-violeta.
Nas cores secundárias intermédias, depois de feita a redução, a porcentagem da primária dominante e que dá o nome é de 75%, sobrando 25% para a outra primária.
As cores que resultam desta nova propagação admitem receber nomes. Valem, pelo menos, pela aproximação, daquilo que em linguagem comum se conhece como tal. Dali o esquema seguinte:
 
Verde limão (amarelo-verde).
Turquesa (azul-verde.
Anil (azul-violeta).
Púrpura (vermelho-violeta).
Abóbora (vermelho-laranja).
Amarelo-ouro (amarelo-laranja).


 
195. Um relógio de 12 cores, umas femininas, outras masculinas. Combinadas as cores primárias, secundárias e mais suas secundárias intermédias, resulta haver doze cores bem definidas. Podemos chamá-las em conjunto de cores femininas, porque sendo mais insistentes, são do agrado das mulheres, mais sensíveis à cor.
As cores terciárias, sempre mais escuras, são da preferência do homem, razão porque se fazem conhecer como cores masculinas.
Sendo 12 as cores mencionadas, elas fazem um relógio de 12 horas, a que se pode dar valor mnemotécnico e didático: 1 verde limão, 2 verde, 3 turquesa, 4 azul, 5 anil, 6 violeta, 7 púrpura, 8 vermelho, 9 abóbora, 10 laranja, 11 amarelo-ouro, 12 amarelo (com brilho de pleno meio-dia).
Observa-se que em cada faixa se subdivide a cor dobrando o número.


 
196. A maneira prática de traçar o disco das cores se consegue criando primeiramente quatro triângulos sobrepostos e que tenham lados iguais (triângulo isósceles); teremos, então, uma estrela de doze pontas. O método é o da sobreposição na «estrela de David».
O primeiro triângulo poderá ser traçado com linhas largas, o segundo com mais finas, os restantes com tracinhos, para apontar sucessivamente para as cores primárias, secundárias e as de meios tons.
Unem-se, com um traço, as doze pontas, de sorte a haver uma figura com doze faces externas.
Para traçar as áreas das doze, divide-se primeiramente ao meio cada uma das doze faces; destes pontos partem para fora, em ângulos retos, as linhas divisórias das faixas das doze cores.
 
A ponta do triângulo indica o nome da cor; nos pontos do primeiro triângulo (linhas grossas), estarão as cores primárias, mas no segundo triângulo (linhas finas), estarão as cores secundárias, como laranja, violeta, verde; nas faces dos outros triângulos (linhas ponteadas), estão os tons.
Também se pode traçar as divisas a partir das pontas, como na figura ao lado, ficando as cores indicadas pelas faces esquerda e direita dos ângulos. Os pontos do triângulo em linha grossa indicam as cores primárias da linha fina, as cores secundárias, da linha picotada as cores terciárias.


 
197. Cores terciárias. As cores terciárias resultam da mistura das três primárias, todavia uma delas com a metade do contingente, as outras duas cada uma com um quarto (como na cor secundária).
 
De índole neutralizada, as cores terciárias são obtidas, - como se disse, - pela mistura de três primárias; distinguem-se das secundárias, porque estas não misturam senão duas primárias.
Nesta maneira de misturar se obtém uma gama consideravelmente variada. A fim de impor uma ordem, precisa-se prescindir das peculiaridades de outra natureza e considerar inicialmente apenas as cores simplesmente como espécie.
 
As novas denominações se atribuem pela cor primária dominante; dali resulta haver: azul terciário, amarelo terciário, vermelho terciário.
As cores terciárias são obtidas pela mistura de cores binárias. Prevalece uma cor primária, com 50%, porém amortecida pelas duas outras, cada uma com 25%.
 
Azul terciário resulta de violeta (azul e vermelho) e verde (azul e amarelo).
Nestas condições o azul tem aspecto de piçarra, xisto, ardósia.
 
Vermelho terciário deriva de cor laranja (vermelho e amarelo) e cor violeta (vermelho e azul).
Agora o vermelho se amortece, como ladrilho.
 
Amarelo terciário nasce do verde (amarelo e azul) e laranja (amarelo e vermelho). O amarelo assim amortecido, pelo azul e vermelho, assume o aspecto de esfumado.


 
198. Cores quaternárias. Finalmente, as cores quaternárias se misturam de maneira ainda mais complexa, sendo que todavia fundamentalmente são apenas um complexo de três primárias.
As denominações das cores quaternárias oscilam muito e é hábito das indústrias de tinta criar combinações com nomes eventuais. Conforme o interesse do consumidor, algumas têm maior sucesso, outras menos.
 
A mistura de duas cores terciárias (que já contam com as três primárias) resulta em uma redistribuição das porcentagens. Têm origem, agora, as chamadas cores quaternárias. Elas são muito freqüentes na natureza. Nesta se aproximam do verde, violeta e laranja (binários).
Por isso recebem frequentes vezes a denominação a partir destas cores. Então, verde significa binário: verde-oliva, verde-limão etc. o verde situado no plano das cores quaternárias.
As novas cores quaternárias correspondem sistematicamente ao que se diz: verde-oliva (referência ao verde binário), pardo de anta (referência ao alaranjado), violeta de ameixa (referência ao violeta binário). Nestas denominações se faz referência às cores de origem.


 
199. As mesclas quaternárias se dão da seguinte maneira:
 
O verde quaternário (verde-oliva) se obtém mediante o terciário amarelo (amarelo 50%, azul 25%, vermelho 25%) com terciário azul (azul 50%, vermelho 25%, amarelo 25%). Ocorre a predominância do amarelo e azul, com interferências do vermelho.
 
O violeta quaternário nasce da mistura dos terciários azul (azul 50%, vermelho 25%, amarelo 25%) e vermelho (vermelho 50%, amarelo 25%, azul 25%). Ocorre, portanto, a predominância do vermelho e azul, interferidos por uma parcela de amarelo.
 
O laranja quaternário funde os terciários vermelho (vermelho 50%, azul 25%, amarelo 25%) e azul (azul 50%, vermelho 25%, amarelo 25%), predominando amarelo e azul, com interferência do vermelho.
 
A cor quaternária também se obtém misturando uma primária com sua oposta, que é sempre uma binária:
 
- oposta de azul, laranja (vermelho e amarelo),
- oposta de amarelo, violeta (azul e vermelho),
- oposta de vermelho, verde (amarelo e azul).
 
A oposta traz sempre as duas outras cores fundamentais.


 
200. Cores neutralizadas. As cores, com três fundamentais, se neutralizam mutuamente. Tendem a destruir-se. Chamam-se cores neutralizadas, sob este ponto de vista.
Sempre são harmônicas com as cores, já porque contêm partes de todas, já porque não se manifestam impositivamente.
Pouco vivas, as cores neutralizadas se prestam para grandes áreas, como paredes, solos, fundos, totalidades de edifícios, objetos industriais, tecidos, expressões artísticas menos enfáticas, etc.
Aqui é o lugar para apreciar as tabelas de cores terciárias e quaternárias oferecidas pelo comércio, que as vende em latinhas de tinta.


 
201. Cores naturais. Cores dos pigmentos e outras substâncias. A natureza e os artifícios de laboratórios oferecem variadas espécies de cor e que são aproveitadas pelo homem. Difícil determinar suas proporções em vermelho, em amarelo e em azul.
Aproximativamente, é possível determiná-las como terciárias, de vermelho, amarelo e azul; ou como quaternárias de verde, violeta, laranja.
São mais raras as cores binárias (verde, violeta, laranja) e sobretudo bem raras as cores fundamentais puras (vermelho, amarelo, azul), e que por isso despertam a atenção quando ocorrem. Determinadas uma vez aproximativamente, consegue-se localizar todas estas cores ao longo do espectro, onde ocorrem sistematicamente.
Com semelhantes reduções, aperfeiçoa-se o conhecimento sobre as cores naturais o que efetivamente se deve fazer, é procurar conhecê-las intuitivamente
A maneira de preparar as cores e mesmo a sua composição química são levadas contudo em conta para entendê-las.
 
Arroladas as cores encontradiças na natureza e nos resultados industriais, acabam por receber denominações, formando-se assim um pequeno dicionário de nomes.
As designações recebem vulgarmente os nomes das plantas, flores, frutas, pedras, barro etc. em que tais cores se apresentam melhor caracterizadas. Dali vêm nomes como rosa, cereja, púrpura, violeta, laranja; ou compostos como verde-limão, violeta mineral.
Os nomes dados empiricamente obedecem vagamente ao esquema das cores terciárias (vermelho, azul, amarelo terciários) e quaternárias (verde, violeta, laranja quaternários). Poucas vezes os nomes conseguem dizer algo sobre a intensidade cromática; na explicação é preciso, então, anexar a qualificação da intensidade.
Quando os nomes são obtidos por transposição semântica dos nomes de objetos que possuem tais cores, possuem sugestões concretas relativamente seguras. Mas, é possível não termos a oportunidade de conhecer ditos objetos. Outra vez ocorre que tais objetos, sobretudo plantas e minerais, admitem variações cromáticas; eis quando, apenas a convenção poderá dizer qual das variações serve de ponto de referência.

 

 

§2. Vermelho puro, vermelhos binários e terciários.
3911y203.

 
 

204. O vermelho, como cor primária, apresenta 17% de luminosidade e é notavelmente vivo.
Conserva o vermelho ainda este caráter luminoso quando misturado em forma de binário, com o amarelo para fazer o laranja e o vermelho-laranja.
Declina bastante a luminosidade do vermelho, ao formar o binário com o azul, como se vê no violeta e no vermelho violeta.
 
A neutralização do vermelho continua com a formação dos terciários, em que o vermelho, o azul e o amarelo simultaneamente comparecem, deixando a caracterização com o vermelho.
Ainda assim há terciários vermelhos consideravelmente luminosos. Os pigmentos vermelhos e todas as substâncias naturais e de laboratório vermelhas, ainda que neutralizadas, como é próprio das cores terciárias, oferecem cromatismos solicitantes.
 
"Os vermelhos que se distinguem por seus nomes de carmim, granza, alizarina, carmesim, cochinilha, solferino etc., têm, em geral, a mesma base cromática, ainda que a sua origem seja distinta.
O vermelho mais espectral é o carmim.
O escarlate é um vermelho intenso, com um leve matiz violácio
O vermelhão e o cádmio vermelho são vermelhos alaranjados.
Todas as variedades de vermelhos azulados ou laranjas, tais como o vermelho de Veneza ou Sevilha, Siena tostada, cereja, caoba, etc. são vermelhos" (J. Bamz, ibidem, 18).
 
205. Há pigmentos vermelhos compostos de mercúrio (como sulfureto vermelhão), de chumbo (óxido o3Pb4, mínio ou zarcão), de cádmio (como selenito), de crômio (como os cromatos básicos); sobretudo os pigmentos vermelhos são de ferro, tais como os óxidos naturais ou artificiais, colcotar, vermelhos da Índia, da Inglaterra, de Veneza, terras vermelhas em geral.
Além de tais pigmentos minerais, ocorrem as matérias corantes de origem animal e vegetal. Cochinilha, Orcina (púrpura francesa), pau vermelho.
 
Seguimos para uma lista de denominação das cores. Não caminhamos à maneira de dicionário, mas por classificação de grupos. Evitamos, contudo, fugir da semântica tradicional dos termos, o que o tecnicismo dos novos recursos da ciência moderna facilmente, e de direito, pode romper.
Tivemos o cuidado de conferir nossa classificação com o dicionário de J. Bamz, por razões práticas. Em se tratando de percepções simples e intuitivas, as cores não se definem mas se descrevem mediante relações extrínsecas, de cromatismo, intensidade, luminosidade, etc. A descrição pela indicação química aponta relações muito extrínsecas, mas, em certos casos, de valor, para organização do pensamento.


 
206. A arrolagem dos vermelhos inicia pelos que levam a mesma denominação de vermelho.
Vermelho cardeal (referência ao colorido pomposo dos cardeais eleitores do Pontífice Romano). Púrpura brilhante. É lembrado também na cabeça vermelho-escarlate do pássaro conhecido pelo nome de cardeal.
Vermelho castelhano. O mais intenso dos vermelhos.
Vermelho Cincinati. Rico, brilhante, alaranjado.
Vermelho de crômio. Belo. Cromato básico de chumbo: Ph2O(CrO4).
Vermelho egípcio. Brilhante e rico.
Vermelho Goya (referência ao pintor Goya). Vermelho, alaranjado intenso.
Vermelho fazenda. Ligeiramente violácio.
Vermelho hindu. Mais claro que o vermelho castelhano. Intenso.
Vermelho imperial. É um vermelho-violeta, mas intenso.
Vermelho índio. Vermelho-laranja escuro, brilhante, próximo ao vermelho de Veneza.
Vermelho laca. Vermelho laranja médio, com valor escuro característico da laca (esta é produzida como resina).
Vermelho ladrilho. Levemente pardo. Um vermelho-laranja intenso.
Vermelho Pompéia. Vermelho-laranja intenso.
Vermelho Pouzolli. Terra vermelha parda.
Vermelho sangue. Vermelho um tanto azulado. Rico.
Vermelho Saturno. Vermelho amarelado ou mesmo purpúreo de Cinábrio.
Vermelho de Sevilha. Leve tendência para o azul. Próximo ao vermelho de Veneza.
Vermelho Tabasco (referência a uma salsa Tabasco). Vermelho laranja intenso peculiar.
Vermelho Turquia. Com grande saturação e amarelado. Pouco brilho.
Vermelho de Veneza. Semelhante ao vermelho de Sevilha, é definido como vermelho pardo de óxido.
Vermelho Vitória. É um vermelho laranja intenso.
Rubi (referência a uma jóia de cores variáveis, porém características). A cor rubi é rica e de um leve matiz azul. O vermelho se deve à presença do óxido crômico.
Vermelhão. Brilhante, com insinuação de amarelo. Vermelhão da China é o genuíno vermelhão. Consegue-se pelo tratamento de cloreto de mercúrio, dissolvido em ácido clorídrico concentrado, com tiossulfato de sódio. Obtém-se ainda pelo aquecimento de sulfeto preto precipitado, em solução de sulfeto de sódio. Como pigmento goza de reconhecida fixidez, de onde seu valor.


 
207. Outras denominações de vermelhos:
 
Alizarina (referência à raiz de alizarina, ou granza, ou ruiva, ou madder, uma planta comercial, de que se extrai este corante). Nome genérico para denominar os corantes obtidos desta planta, em geral vermelhos.
Trata-se de uma dihidroziantroquinona, que se cristaliza em cor alaranjada ou vermelha, solúvel no álcool e éter. Foi o primeiro corante natural a ser fabricado sinteticamente; nestas novas condições, ao ser lançado em 1871 no mercado, provocou conseqüências econômicas na Europa e Ásia, onde era produzida a alizarina.
 
Papoula (referência às pétalas da papoula). Vermelho-laranja brilhante.
Amaranto (referência à flor deste nome). Vermelho azulado, saturado e pouco brilhante. Há flores de amaranto verde, púrpura ou carmesim.
Ameixa (fruta). Vermelho azul, pequena saturação, pouco brilho.
American Beauty (referência à rosa deste nome). Vermelho violáceo escuro.
Arando (referência à uva arando, quando madura). Vermelho purpúreo escuro.
Azaléia, ou azálea (referência à flor deste arbusto, originário da China e Japão, de uso nas cercas vivas). Tornou-se frequente a pronúncia azaléia. Nome de tinta vermelha laranja.
Blotter pink. Rosa claro levemente azul.
Bluebell (referência à flor nacional da Escócia). Azul.
Borgonha (vinho). Vermelho, matiz azul, menos que o de Bordéus.
Bordéus (referência ao vinho deste nome). Vermelho azulado quente.
Capulho. Rosa delicado.
Cardo (referência à flor do cardo). Vermelho azulado.
Carmesim. Nome geral dos vermelhos que oscilam entre vermelhos azulados e vermelho puro.
Carmesim Harward. Cereja intenso violácio.
Carmim (referência a uma coccídeo ou cochinilha que fornece este corante). Vermelho vivo e rico. Tendência purpúrea. É o vermelho mais espectral. Também se extrai de algumas plantas. 10% de luminosidade.
Carmim de alizarina (referência à alizarina, ver Alizarina). Vermelho azulado frio.
Carmim Burt. Carmim intenso escuro (variedade).
Carne. Encarnado suave, pálido, ligeiramente amarelo.
Cereja (referência à fruta). Vermelho azulado.
Chama. Um escarlate (vermelho vivo), semelhante ao fogo.
Ciclamen (referência à flor européia). Vermelho azulado.
Cinábrio (referência a uma pedra, ou mineral, sulfureto vermelho de mercúrio). Matiz vermelho laranja. Também se denomina Cinábrio a uma laca vermelha chinesa.
Coral (referência ao coral natural, calcário). Vermelho amarelo. Variantes: Coral Blush (laranja vermelho, claro, suave). Coral velho (idem, levemente escuro).
Dália (referência à flor). Vermelho azulado brilhante, de pouca saturação.
Encarnado. Cor de carne ou de sangue.
Escarlate. Vermelho muito vivo e intenso, levemente violácio. Alguns o descrevem como vermelho laranja. Cor carmesim.
Escarlate brilhante ou escarlate iodina. Vermelho amarelado. Como gerânio intenso.
Flamengo (referência a um pássaro aquático, de plumagem branca rosada). Vermelho amarelo saturado, brilho mediano.
Framboesa (referência a uma planta ornamental de flores pendentes, de cálice vivamente encarnado e pétalas roxas, levemente azuladas). Púrpura com um vermelho saturado e brilho médio.
Fucsina. Corante da hulha, obtido por oxidação de uma mistura de anilina e toluidina, mediante ácido arsênico, tratada a rosanilina, que se origina, por ácido clorídico. Dissolvida em álcool e água quente, resulta em cor vermelha. Emprega-se para tingir lã e seda, como ainda para alterar ou mesmo falsificar vinhos.
Gerânio (referência à flor). Vermelho amarelado, saturado, brilho médio.
Granada. Um vermelho escuro intenso.
Groselha (referência à fruta). Vermelho intenso, violácio.
Heliotropo (referência à flor). Vermelho-azul.
Jacinto (referência à flor de jacinto, de variedades branca, rosa, azul, amarela). Vermelho azulado, de saturação e brilho médios.
Laca. Modalidade de tintas, obtida pela combinação de óxidos metálicos com substâncias corantes, vermelhas e negras. Produzida também por insetos (verniz da China) e resina de árvores. Lacre.
Morango. (referência à fruta). Vermelho com leve azul.
Malmaison. Um rosa apagado.
Melão (referência à polpa madura). Rosa amarelado pálido.
Óxido vermelho (vermelho óxido, referência a terras naturais de Veneza, Sevilha e outras). Vermelho laranja escuro intenso.
Peônia (referência à peônia, planta de flor rosada, púrpura, amarela, branca). Vermelho azul.
Pegeon Blood (sangue de pomba, referência a rubis desta cor). Vermelho intenso.
Pimentão (referência aos frutos ornamentais comestíveis desta hortaliça). Vermelho laranja claro. A pimenta assume às vezes a cor escarlate.
Púrpura. Vermelho violeta brilhante. Extraído primeiramente de um molusco (púrpura de Tiro), depois da Cochinilha. A púrpura de Cássius, no século XVII, para desenhos sobre porcelana; a coloração é púrpura. A púrpura marinha é um azul purpúreo escuro.
Rosa é a denominação geral para os matizes do vermelho com diferentes intensidades de branco. Variantes: Rosa árabe (intenso, ligeiramente azulado); Rosa aurora (do amanhecer); Rosa Baby (pálido, delicado); Rosa Bombom (rosa rico); Rosa festa (mais forte que rosa árabe); Rosa grego (pardo-carmesim apagado); Rosa Hunter (vermelho intenso da jaqueta inglesa de caçada); Rosa Laurel (levemente grisado); Rosa orquídea (carmesim róseo pálido); Rosa Pétala ou rosa maçã (referência ao rosa delicado da flor); Rosa Silvestre (apagado, suave); Rosa de Te (com toque amarelo); Rosa velho (apagado, suave); Rosa templa (agrisado); Roseglow (quente tostado).
Rubi (referência à pedra do rubi, cujo vermelho se deve ao óxido crômico). Vermelho médio, com elementos de azul. O rubi se obtém artificialmente, pela coloração do alumínio com óxido crômico, 2,5%.
Tomate. Um vermelho brilhante.

 

 

§3. Azul puro, azuis binários e terciários.
3911y209.

 
 

210. O azul com 50% de luminosidade, menos brilhante que o amarelo 70%, encontra-se dificuldade para ser denominado em suas variações terciárias. Com frequência leva os nomes das cores mais brilhantes, às quais empresta o matiz azulado. Também os azuis são menos diferenciados entre si, de sorte que oferecem menos atração e recebem nomes mais vagos.
"Nos azuis existe grande confusão e a definição corrente é pobre para expressar a verdadeira cor.
Uns consideram como azuis as cores mais vizinhas ao verde e outros o violeta; entre os primeiros se encontram os azuis de cobalto, Prússia, turquesa e cerúleo; entre os segundos, o índigo e o ultramar.
As cores celestes, turquesa e cerúleo podem ser consideradas como azuis com pouca saturação, ou degradados.
São também azuis o azul mineral, sálvia, esmalte, céu e cera; uns neutros e outros degradados. O moderno azul de ftalocianina substitui o Prússia" (J. Bamz, p. 19).
 
211. O azul, na natureza, se observa nas distâncias, por efeito do ar e dos vapores de águas.
É expressamente azul a abóbada celeste.
O azul também aparece no mar distante e na água profunda.
Mais raramente ocorre nos minerais e nas plantas.
Os pigmentos corantes azuis se obtêm de fontes variadas. Obtêm-se no grupo das oxazinas (azul de Nilo), do ferrocianato férrico (azul da Prússia), de ervas (anil) etc.


 
212. Na relação dos azuis, começa-se pelos que levam o nome.
 
Azul abeto (referência às folhas de abeto, quando novas). É um azul verde, empardecido ou agrisado.
Azul academia. Resultante da mistura de ultramar e viridian (verde brilhante), por conseguinte, azul com um toque verde.
Azul de aço. Azulado gris e escuro.
Azul de Amberes. Pálido. Variedade menos carregada do azul da Prússia.
Azul baby. Claro. Azul pastel.
Azul bandeira. Escuro e intenso. Semelhante ao lírio azul.
Azul barco. Próximo ao púrpura. Escuro.
Azul Berlim. É o azul verdoso da Prússia.
Azul de Borrel. Rico de azul. Corante do grupo das tiazinas. Obtém-se pela ação do óxido de prata sobre o azul de metilena.
Azul Botticelli (referência ao azul do pintor Botticelli). Nebuloso e pálido, levemente gris.
Azul Brunswick. Variedade do azul da Prússia, matiz verde e profundo.
Azul cadete. Azul claro e gris.
Azul celeste (referência ao céu claro). Brilhante. Dito também azul cerúleo. Obtém-se o azul celeste com estanho de cálcio. Tinta fria.
Azul céu. Muito claro, como céu de verão.
Azul Cleópatra. Brilhante, levemente verde.
Azul cobalto. Um azul próprio para pintar paisagens, por causa de sua tendência ao verde. Claro. Brilhante, com 30% de luminosidade. Menos profundo que o ultramar, este azul básico dos artistas e levemente violeta.
Azul Copenhague. Brilhante. Violáceo.
Azul cianine. Resultante da mescla de cobalto (brilhante claro, tendência ao verde) e da Prússia (profundo e verdoso). Toques de verde.
Azul de Delft. Avermelhado. Pouco brilho.
Azul Devonshire. Toque do avermelhado de Delft. Suave.
Azul egípcio. Usado na antiguidade pelos egípcios e semelhante ao cobalto.
Azul elétrico (referência à cor da faísca elétrica). Frio. Verdoso.
Azul escocês. Médio.
Azul esmalte. De pouca cor. Brilhante, tendência ao verde. Cobalto vitrificado.
Azul flamengo. Intenso, rico, agrisado.
Azul de Nilo. Corante artificial metacromático, do grupo das oxazinas. Nas soluções alcólicas são de azul puro, as aquosas são violáceas.
Azul francês. Semelhante ao ultramar; medianamente verdoso. Silicato de alumínio, silicato de soda e sulfato de sódio. Utilizado na aquarela.
Azul golondrina. Gris.
Azul gruta (referência ao azul da gruta de Capri, Itália). Intenso.
Azul horizonte. Claro e levemente gris.
Azul império. Toque de gris. Verdoso.
Azul insígnia. Escuro. Aproveita-se um uniformes militares.
Azul linho (referência à flor azul do linho). Levemente vermelho.
Azul de Lucerna. Um azulado de lavanda, este com o matiz violeta vermelho claro desta flor.
Azul Madonna (referência às Madonas de Rafael). Azul violáceo mediano.
Azul Magdalena. Atraente e vivo. Mistura dos azuis turquesa (azul verde intenso) e pavão.
Azul marinho. Ultramar escuro. 10% de luminosidade.
Azul meia-noite. Escuro, quase negro.
Azul de Metilena. Azul resistente à lavagem e à luz, para seda e algodão.
Azul mirto (referência à flor do mirto). Azul-vermelho claro.
Azul montanha. Azul azurita (este um amarelo, do azurita, um mineral de cobre).
Azul de Paris, similar do da Prússia. Mais precioso.
Azul pavão real (referência às penas do pavão real). Chamativo e atravente.
Azul pólvora. Pouco saturado, com matiz verde. Brilho médio.
Azul porcelana (referência à porcelana de Chelsea).
Azul da Prússia (referência à Prússia). O tom azul de água é profundo, marcado por um verdoso característico. Resulta do ferrocianeto férrico.
Azul de Ptalocianina. Profundo e verdoso, como o Prússia, ao qual, modernamente, passou azul substituir, em virtude das vantagens que oferece.
Azul rainha. Medianamente claro.
Azul Della Robbia (referência à escultura de Della Robbia e à argila azul brilhante). Brilhante.
Azul royal. Levemente violáceo.
Azul de Turnbull. Sólido azul. Ferrociante ferroso.
Azul turquesa (referência à cor da pedra semipreciosa deste nome). Característico azul verde intenso. 32% de luminosidade.
Azul ultramar. Tendência para o escuro e violáceo. É o azul básico de uso artístico. Obtém-se com sulfúreo de sódio e silicato de alumínio. É capaz de produzir verdes apreciáveis, em mistura com o amarelo.
Azul Yale. Um azul-verde, de brilho médio.
Azul Zafiro (referência à pedra preciosa). Azul intenso, com leves matizes de amarelo.


 
213. Outras denominações de azul:
 
Água-marinha (referência azul uma pedra semipreciosa, de variedade de brilho, em geral verde-mar; também há águas-marinhas de azul celeste e azul escuro. Como cor, água-marinha indica azul verde. Valor claro ou médio.
Ultramuz ou Tremoço (referência a uma leguminosa, das quais uma tem flor azul). Um azul purpúreo.
Ametista (referência à ametista, variedade roxa de quartzo). Um matiz púrpura azulado intenso. No calor de 500 graus azul ametista toma azul coloração amarela ou castanha, com feições de topázio.
Amora (referência à esta fruta, tipo framboesa). Azul avermelhado escuro, pouca saturação.
Anil (extraído de ervas leguminosas, o anileiro, ou indigueiro, obtido também por síntese). Azul escuro verdoso. Combinado com os amarelos dá origem a verdes apreciáveis.
Cinzas de ultramar. Um azul gris de muita delicadeza.
Cerúleo (veja-se azul celeste). Brilhante. Cor do céu azul.
Clemátide (referência à flor da Clamátide, ou Clemátite). Azul intenso.
Ching (referência ao azul característico da cerâmica da dinastia chinesa Ta Ching). Azul intenso brilhante, com toques de verde.
Chow. Azul brilhante, similar ao azul primário, um pouco mais escuro.
Delphinium (referência à flor deste nome). Azul violeta.
Genciana (referência à flor desta família de plantas rasteiras, com belas flores, de 400 variedades). Azul de pouco brilho e pouca saturação, levemente avermelhado.
Gobelin (referência à família Gobeli, célebre família de tintureiros e fabricantes de tapeçarias, de Paris). Um azul verde claro.
Homage. Um azul ultramar escuro.
Hortênsia (referência à flor desta planta arbustiva, natural da China e do Japão, de flores brancas, azuis, rosadas). Um azul rosado.
Íris (referência azul uma espécie de lírio, da família das iridáceas, de 200 variantes). Um azul avermelhado, pouco saturado.
Jockey Club. Um azul escuro.
Lápis-lazúli, ou Lazulita (referência a este mineral, de natureza opaca, um silicato composto de alumínio, sódio, cálcio, ferro, com cor azul, fundido dificilmente, solúvel nos ácidos, encontrável na Ásia). Um azul violáceo, chamado também ultramar.
National Blue (referência à bandeira americana). Azul médio.
Navy Blue (referência ao azul da marinha americana). Azul escuro.
Orquídea (referência à flor desta planta ornamental). Um azul vermelho, de saturação e brilho médios.
Pequim (referência à capital chinesa). Um intenso azul, com elementos de gris.
Periwinkle. Um azul púrpura claro.
Pompadour. Azul pálido.
Púrpura marinha (veja-se «púrpura»). Um azul de caráter purpúreo e escuro.
Wedgwood (referência ao ceramista inglês, de igual nome). Um azul intenso, com variedades: escuro, claro (pastel apagado). E há o verde wedgwood (amarelo verdoso apagado).

 

 

§4. Amarelo puro, amarelos binários e terciários.
3911y214.

 
 

215. O amarelo puro detém 70% de luminosidade. Ao se misturar, diminui esta luminosidade. Ainda que se neutralizando bastante com as misturas com as cores terciárias e quaternárias, conserva ainda algum brilho.
Além de emprestar tonalidades aos terciários de azul e vermelho, bem como aos quaternários de laranja, verde e violeta o amarelo mantém uma seriação de cores específicas.
"Como amarelos se designam os cádmios (claro e médio) e os cromos; os primeiros têm tendência para o vermelho e os segundos para o verde.
O amarelo limão e o de aço são quase análogos.
A aureolina é algo mais brilhante que o cádmio claro, porém com a mesma direção cromática.
O amarelo de Nápoles é um amarelo dessaturado.
São além disto amarelos de champanha, canário, limão, milho, palha, primorosa, sulfureto e creme" (J. Bamz. Ibidem, 19).
 
216. A fonte mais frequente do amarelo, sobretudo para pintar paredes é o ocre (ou ocra). Trata-se de terra argilosa, geralmente amarela, as vezes castanha ou avermelhada.
O ocre se constitui de óxido de ferro, ora mais ora menos hidratado, óxido de alumínio, anidrido silício (sílica) e óxido de cálcio (cal). A coloração é devida ao óxido de ferro, as vezes aos óxidos de magnésio. O ocre, geralmente amarelo, torna-se vermelho ao ser desidratado, queimando-o. Há, pois ocre vermelho e amarelo.
 
Ocorrem ainda outras fontes minerais para a criação do amarelo. Assim, por exemplo, o amarelo real, ou de cromo, constitui-se de cromato de chumbo; o amarelo de Cassel, o de Turner, o de Verona, são oxicloretos de chumbo; o amarelo de palha é sulfato básico de chumbo; o amarelo de Colônia, resulta da mescla de sulfato e cromato de chumbo; o amarelo de Nápoles, procede do antimoniato básico de chumbo; o amarelo de Steinbuhl se constitui de cromato duplo de cálcio e potássio; amarelo citrino deriva do cromato básico de ferro, por precipitação; o amarelo cobalto é um nitrato cobalto-potássio.
 
São de origem orgânica o amarelo indiano (jaunes indien, purrey) e Goma-guta (da Índia). Em Bengala se obtém o amarelo indiano pela fermentação de urina de vaca com folhas de manga.


 
217. Relação de amarelos:
 
Amarelo aurora: um amarelo de cádmio.
Amarelo de cádmio: sulfureto de cádmio. Resistente. Na mescla com azuis, este amarelo produz verdes bonitos. Na mescla com brancos, dá tintas de grande brilho. Na mistura com cinábrio e laca de carmim, dá origem a alaranjados expressivos.
Amarelo de Barie (referência a um metal alcalino terroso). Um amarelo pálido de matiz verde. O bário é o elemento alcalino dos metais terrosos. Dos seus compostos, o nitrato de amônia, e o clorato se produzem os fogos verdes, na pirotécnica.
Amarelo zinco. Verdoso. Constituído de cromato de zinco.
Amarelo de cromo (constituído de cromato de chumbo). Um amarelo avermelhado (procedendo o vermelho do cromo). Saturação média. Brilhante 50% de luminosidade. Muito bonito porém venenoso. Variantes: cromo amarelo (muito brilhante), cromo laranja (variedade, com índole laranja).
Amarelo ouro (ver áureo). 60% de brilho.
Amarelo abóbora (44% de luminosidade).
Amarelo de cobalto. Brilhante, com tendência para o verde. Aureolino, O cobalto se emprega na fabricação de pigmentos para a louça policroma.
Amarelo de Espanha. Similar ao pálido verdoso do amarelo limão. Brilhante.
Amarelo de estrôncio. Um amarelo apagado, porém brilhante. Matiz verdoso. O estrôncio é uma metal alcalino terroso, de que os minérios mais importantes são o carbonato e o sulfato (celestina).
Amarelo de Hanza. Laca artificial, amarela. Muito brilhante.
Amarelo limão. Pálido. Verdoso. 69% de luminosidade.
Amarelo de Nápoles. Um amarelo claro. Verdoso.
Amarelo de Ranúnculo (referência à flor de ranúnculo). Um amarelo avermelhado claro.


 
218. Denominações de amarelos com outros nomes:
 
Alfena (referência às folhas deste arbusto da família das oleáceas). Um amarelo avermelhado com elementos pardos, saturação média, pouco brilho. Uma espécie de laranja.
Áureo (referência ao ouro, brilhante). Um amarelo brilhante.
Aureolina. Um amarelo muito brilhante, com toques de verde.
Açafrão (referências a esta planta da família das iridáceas; seus estigmas oferecem o corante, cujo princípio ativo é a safranina, de core vermelha). Um amarelo avermelhado brilhante.
Enxofre (referência ao calcogênio deste nome). Um amarelo verdoso pálido.
Bege. Um amarelo pardo, neutro claro, como a lã em seu estado natural. Variantes: Bege francês (amarelo com matiz rosado): Bege Meloso (tom amarelo pardo, pálido, quente).
 
Cádmio claro. Um amarelo brilhante e quente. É um sulfureto de cádmio (metal semelhante ao aspecto do estanho), corante aproveitável na indústria. Em mistura com os azuis, oferece verdes bonitos; com o branco, tintas brilhantes de amarelo claro; com o cinábrio e com a laca de carmim, alaranjados expressivos (veja-se amarelo de Cádmio).
Cádmio limão. Um amarelo com tendências ao verde. Brilhante.
Canário (referência ao amarelo desta ave). 77% de luminosidade.
Capuchinha (referência á flor desta trepadeira). Um amarelo avermelhado.
Cáqui. Um amarelo de palha, pardo claro. Cor de barro. Conhece-se em alguns uniformes militares.
Creme. Um amarelo claro e suave.
Cromo. (Veja-se amarelo de cromo). Um amarelo avermelhado, saturação média, brilhante. Variantes: cromo amarelo (brilhante, primário); cromo laranja (com caráter de laranja).
Creme. 76% de luminosidade.
Casca de ovo (Egg shell, referência à casca de ovo da galinha). Amarelo claro, delicado. Ou bege claro.
Champagne (referência ao vinho deste nome). Amarelo claro.
Chartreuse (referência ao licor do mesmo nome). Amarelo verde
Dourado. Um amarelo pardo, com variantes em matizes de ouro-verde e ouro-vermelho.
Estragão (referência uma planta de horta). Um amarelo verde gris suave.
Freésia (referência a uma planta de salão) da família dos lírios). Um amarelo pálido.
Girassol (referência às pétalas do girassol). Amarelo intenso.
Granadina (referência a um xarope, que se mistura com outras bebidas). Um amarelo avermelhado, com maturação e brilho.
Honeydew (referência a um melão). Amarelo avermelhado com grande saturação e brilho.
Indio (extrato de urina de camelo). Um amarelo vermelho saturado e brilhante. No uso é transparente.
Jasmim. Um amarelo quase branco. Cor pastel.
Limão (ver amarelo limão).
Mantiquilha, ou nata. Um amarelo intenso.
Maracotão (um fruto). Um amarelo vermelho, saturação pequena grande brilho.
Mel. Um amarelo, com tendências de laranja, claro.
Ocre (substância terrosa natural com variantes amarela, vermelha, parda). 60% de luminosidade. Um amarelo neutro. Variantes: ocre amarelo (amarelo apagado); ocre de ouro (amarelo mais intenso, na direção do amarelo e cromo); ocre vermelho (matiz avermelhado, resultante da calcinação); ocre tostado (amorenado, vermelho-ladrilho).
Ouro Velho. Um amarelo brilhante, com um toque de escuro.
Palha. Um amarelo claro.
Primavera (referência às pétalas das flores ornamentais com este nome, buganvilea, ou três marias, primula, manacá).
Sândalo (madeira da Índia). Um bege quente, mais escuro, bege tostado.
Sunlight (luz do sol). Um amarelo laranja pálido.
Tília. Um amarelo de saturação média, grande brilho.
Tijolo amarelo. 32% de luminosidade.

 

 

§5. Violetas quaternários e variantes.
3911y220.

 
 

221. O violeta puro é cor binária, resultante da combinação de azul e vermelho, com 5% de luminosidade. Admite também, nestas condições, a denominação de púrpura.
Na combinação quaternária, assume o violeta variações peculiares, ainda que de pouco brilho.
"O violeta, ou púrpura, é uma cor que falta no espectro e que está constituído pela mescla de radiações vermelhas e azuis.
O rosa puro é mais bem uma gradação púrpura que de vermelho. São violetas as cores heliótropo, lavanda, lilás, malva, pensamento, petúnia, púrpura real, violeta mineral, etc.; violetas avermelhados, púrpura alizarina, beterraba (remolacha), cereja, carmesim, granate, magenta, laca púrpura, framboesa, etc., e azulados o violeta cobalto, de Parma meia noite, violeta ultramar, etc" (J. Bamz, Ibidem 18-19).
 
222. Os pigmentos puros de violeta são poucos. Um deles é o violeta de Borgonha, fosfato de amônio e manganês. Outro é o violeta de cobalto, que se obtém por calcinação de fosfato de cobalto hidratado.
Os violetas são conseguidos em geral por mescla de vermelho e azul, da mais variada procedência ternária.
Observa-se o violeta na atmosfera; por isso importa muito na pintura ao ar livre e impressionística, para reproduzir os delicados tons das distâncias, a vaporosidade do ar, os efeitos matutinos e vespertinos do sol, as regiões do céu que estão fora da incidência dos raios diretos do grande astro que se põe.


 
223. A lista das variantes de violeta não se faz sem invadir a das variantes de vermelho (de uma parte) e a das variantes de azul (de outra parte). Uma vez que fizemos com prioridade aquelas relações já nos antecipamos no conhecimento de vários violetas. Vão ali os violetas, com mais algumas variantes.
 
Violeta de Cobalto. Fosfato de cobalto. Intensamente azul. Brilhante. também ocorre um violeta cobalto com tendência para vermelho, em vez do azulado intenso.
Violeta de Manganês. É um violeta claro. No que se refere ao manganês, trata-se de um metal branco acinzentado, que se oxida superficialmente exposto ao ar, assumindo um lustre róseo.
Violeta Mineral. Uma variedade de azul avermelhado do azul ultramar. Compõe-se de fosfato de magnésio.
Violeta Parma. Um violeta avermelhado. Intenso.
Violeta Magenta e violeta solferino. São lacas de anilina, muito belas, mas prejudicam à pintura.


 
224. Outras denominações de violeta.
 
Beringela (referência à baga de cor escura a arroxada que tem este nome). Um violeta escuro, intenso abundante.
Bispo (referência à sua cor). Um violeta azulado.
Brejo (referência ao brejo). Um violeta azul grisado.
Carmesim. Um vermelho azulado, com variantes; carmesim (cereja intenso, rico, com matizes de violeta). Veja-se a relação dos vermelhos terciários; idem a respeito de carmim.
Cathay (referência a um pássaro americano). Um púrpura azul.
Lírio Japonês. Um púrpura azul intenso.
Lotusolue (azul de lothus). Um púrpura azul.
Mingnon. Um violeta com toques de azul pálido.
Mistério. Violeta com tendência azul, similar à lavanda.
Pensamento (referência à flor deste nome). Um violeta, com elementos de azul, intenso rico.
Púrpura. Um vermelho violeta (veja-se na relação dos vermelhos).
Lilás 40% de luminosidade.

 

 

§6. Os verdes quaternários e variantes.
3911y226.

 
 

227. O verde puro é a combinação em partes iguais do amarelo e do azul.
O verde quaternário (verde-oliva) se obtém mediante o terciário amarelo (amarelo 50%, azul 25%, vermelho 25%) com terciário azul (azul 50%, vermelho 25%, amarelo 25%).
Ocorre, pois, a predominância do amarelo e azul, com interferências do vermelho.
Portanto, da combinação de amarelo e azul, - isto quer dizer que a mistura das três cores fundamentais (azul, amarelo, vermelho), com predominância de azul e amarelo, - resulta o verde quaternário.
Sua natureza neutralizada converte tais cores em verdes mansos.
 
Os pigmentos oferecem os mais variados matrizes de verde, de acordo com as predominâncias e outras mais interferências.
"Entre os verdes, o esmeralda e o viridiano são de tendência amarela; o óxido de cromo é algo neutro. Os verdes de cobalto são muito azulados. Todas as cores equilibradas entre o azul e o amarelo são verdes, como maçã, garrafa, cobalto, jade, folha, malaquita, agárico (muerdago), etc; são verdes amarelos e verde bronze, Brunswick claro, cedro chartreuse, cesped, musgo, oliva, guisante, etc. e azulados, o Brunswick intenso, cromo mirto, mignonette, etc. " (J. Bamz, Ibidem, 19).
 
228. A natureza é fecunda em gradações de verde, porquanto são inúmeras as plantas, cada uma com seu tipo de folhas.
Com dificuldade as tintas fabricadas atingem sua reprodução e também não sem dificuldade o artista consegue verdadeiramente determinar a exata cor verde que a natureza em cada instante oferece.
 
Os verdes se constituem, em geral, de sais de cobre ou de crômio ou de mesclas de pigmentos azuis com pigmentos amarelos.
Os corantes minerais de cobre dividem-se em verdes de cobre com arsênio, de que o mais importantes é o verde de Schweinfurt, e verdes de cobre sem arsênio, de que os mais importantes são verdes de montanha, verde de Bremen. O verde Casselmann é um sulfato básico de cobre, da cor verde viva.
Os verdes de crômio têm o seu mais importante espécime no sequi-óxido de crômio, mais ou menos hidratado, com o nome de verde guinet ou verde esmeralda. São fosfatos básicos de crômio, os verdes de Armadon, Plessy e Schnitzer.
 
Anotamos ainda o verde de Riemann, que é um zincato de cobalto, que se obtém por calcinação de óxido, ou de um composto de zinco, umedecido mediante solução de nitrato de cobalto.
O verde inglês é obtido por precipitação simultânea do azul de Prússia e amarelo de crômio, adicionado depois a sulfato de bário.
Terras verdes são geralmente silicatos de alumínio e magnésio, e cabendo a coloração à presença de silicato ferroso. Dali os verdes de Bohêmia, de Verona, De Chipre, verde francês.


 
229. Um elenco de variados verdes quaternários:
 
Verde-agárico ou almuerdago (referência a um cogumelo). Um verde equilibrado entre azul e amarelo, como o das folhas do agárico.
Verde-alpe. Amarelo verde.
Verde-Arcádia. Verde amarelado, um tanto claro.
Verde-bilhar. O conhecimento verde amarelado que cobre as mesas do jogo de bilhar.
Verde-bosque (referência aos bosques). Um azul escuro de grande intensidade, com um toque azulado, 12% de luminosidade.
Verde-Brewster. Outro verde azul escuro.
Verde-Brunswick, como verde cromo, mistura de amarelo de cromo este muito brilhante, de azul da Prússia (este azul profundo e verdoso).
Verde-capulho. Verde amarelo claro.
Verde-cinábrio. Cromato de chumbo, cianureto de ferro. Utilizável puro.
Verde-cobalto, verde um tanto azulado. Combinação de zinco e cobalto. Combinado com amarelo de zinco, produz belas gradações.
Verde-cromo, deriva do amarelo de cromo e azul da Prússia, portanto de amarelo brilhante e azul profundo. O verde de cromo é um óxido trivalente (Cr2O3). Ocorre como pigmento permanente na pintura a óleo.
Verde-esmeralda (referência a pedra preciosa esmeralda de cor verde brilhante). Um verde muito intenso, vagamente amarelo. Compõe-se de óxido de cromo.
Verde-folhagem (referência à folha de nogueira).
Verde-golf. Um verde brilhante médio.
Verde-Hockel (mistura de azul de prússia e do amarelo Gambode). Matiz fundamental oliva, apresenta duas variedades, amarelada e azulada.
Verde-folha (referência às folhas novas). Verde amarelo. 20% de luminosidade.
Verde-Hunter. Um verde mediano.
Verde-Jungla. Verde amarelado escuro.
Verde-limão, 60% de luminosidade.
Verde-loro (referência à plumagens de um pássaro). Um amarelo verde brilhante.
Verde-maçã. (referência a maçã). Verde amarelo.
Verde-mar, verde azul claro da profundidade de água.
Verde-menta (referência à folha de menta). Verde gris.
Verde metálico. Verde-oliva amarelado brilhante.
Verde-musgo. Verde amarelo.
Verde-montanha. Um verde escuro, levemente azulado. Referência aos montes vistos de longe.
Verde-Nilo, verde amarelado.
Verde-oceano, um pálido verde amarelado.
Verde-oliva (referência à oliva, ou azeitona). Verde amarelado escuro. Ou combinação de negro e de amarelo índio.
Verde-palmeira, verde limão neutro.
Verde-Paris, amarelo verde vivo, de brilho intenso (mais que o céspede verde do prado ao sol do meio dia). Coincide o verde de Paris com o verde Schweinfurt, que é um pigmento de cor verde brilhante, usado como inseticida. Composição química aproximada: Cu (CH3C00) 2+3Cu(As02). É, pois um aceto-arsênico de cobre.
Verde-primavera. Um verde folha, enquanto nova.
Verde de ptalocianina, um azul ptalocianina, na variante verde.
Verde Rickey (referência à cor da terra chamada Rickey). Semelhante ao verde amarelo intenso do sol visto através das folhas.
Verde de Sheele. Arsenito de cobre de composição variável, que serve como pigmento verde. Consegue-se juntando-se a uma solução de sulfato de cobre uma solução de arsenito de álcool.
Verde veronês. Similar ao verde Viridian a mais claro. Brilhante. É um talco zoográfico.
Verde Viridian. Um verde brilhante, menos claro que o veronês. De aspecto transparente. Fresco. Substitui, com vantagens, o verde esmeralda, que é um pigmento falso.
Verdigris, um verde azulado, luminoso.


 
230. Outras denominações que dizem variantes do verde:
 
Absenta (referência ao licor de Absenta). Verde amarelo claro.
Água-verde, verde amarelado suave. Pálido.
Almendra (referência à parte posterior das folhas de almendra). Verde gris.
Aquarelle, verde-azul claro. Distância-se de aguamarinha, que é azul-verde.
Agrião (Berro, dos espanhóis, referência ao agrião tenro). Verde azul intenso.
Cerâmica (referência às cores próprias da cerâmica), verde azulado, com variantes na direção do azul.
Céspede (referência à relva, dos prados, ao sol de meio dia). Verde amarelado brilhante.
Diana, verde claro, cromatismo intenso.
Azinheiro (encina, em espanhol, referência às folhas do azinheiro verde amarelo apagado.
Espinafre (referência à hortaliça), verde escuro suave.
Ingênuo, verde amarelo. Pouca saturação cromática.
Jaspe (referência ao quartzo deste nome). Verde amarelado, pouca saturação, brilho apagado. Note-se que existe também pedra jaspe preta.
Alface (referência às suas folhas), verde amarelo.
Lima (referência ao fruto maduro), verde amarelo. Distingue-se do limão, que é amarelo verde claro.
Liquen (referência a esta planta criptogâmica, de fungos e algas), verde esbranquiçado.
Malaquita (referência à um mármore, lustre semimetálico, traço verde azulado, cor esverdeada). Verde amarelo claro (diz J. Bamz).
Mirto, ou Murta (referência à um arbusto). Um verde rico e escuro.
Pepino (hortaliça). Verde amarelo.
Pinheiro (árvore). Verde suave escuro.
Salva, ou Sálvia (referência à folha seca). Verde amarelo intenso.

 

 

§7. Os laranjas quaternários.
3911y232.

 
 

233. Como binário, o laranja resulta da mescla de vermelho e amarelo. Em tais condições é eminentemente brilhante, com 50% de luminosidade. Na mistura quaternária neutraliza notoriamente suas características, tal como sucede com o verde e o violeta, seus companheiros binários, quando passam ao plano quaternário. Em compensação o laranja quaternário oferece uma grande variação aos laranjas.
"O minio, cinábrio e vermelho de saturno são laranjas amarelados; o cádmio laranja, vermelho de aço e vermelhão claro derivam para o vermelho.
Como laranjas se classificam o creme cálido, marfim antigo, caoba pardo, roble, ocre romano, etc.
São laranjas amarelos o albaricoque, bege, camurça, canela, casca de trigo, gomaguta, tostado claro e baunilha (vanilla).
E laranjas vermelhos o cobre, coral, cádmio, escarlate, carne, coaba natural, ocre vermelho, laranja de Marte, melocotão, vermelho de ladrilho, vermelho claro, salmão, terracota, terra rosa, etc.." (J. Bamz, Ibidem, 19).


 
234. Laranja Brilhante. Corresponde à cor da casca de laranja. Como diz o nome, é brilhante.
Laranja Cromo. Amarelo vermelho, de muita saturação e brilho, como é próprio desta área de cores. O vermelho procede do lado do cromo.
Laranja Índio, de novo, amarelo vermelho brilhante.
Laranja Príncipe, um laranja avermelhado.
Laranja Tostado, um laranja vermelho escuro, mediano.


 
235. Outros nomes indicadores de laranja, com suas variantes:
Coral Bluch (como coral seria um vermelho amarelo do coral natural, é um laranja avermelhado, claro, suave. Semelhante é o coral velho, um laranja com um toque vermelho e levemente escuro (Veja-se a relação dos vermelhos).
Kumquart (referência a um pequeno citro japonês). Um laranja amarelado.
Leafmold, um laranja avermelhado intenso.

 

 

§8. Pardo, Gris, Cinzento.
3911y238.

 
 

239. Denominações mais ou menos equivalentes, pardo, gris, cinzento, se definem como um equilíbrio entre o preto e o branco.
Gris conota ligeiramente com azulado, assim se diferenciando algum tanto de pardo.
Cinza conota vagamente com apagado e triste.
O equilíbrio entre o preto e o branco é obtido quando se misturam as cores com suas complementares. Ou quando simplesmente se misturam o preto e o branco. Há, pois, duas espécies, pela forma de se originarem, de pardos, grises, cinzentos.
Na mistura de uma cor com as suas complementares resta algo de cor, porquanto ocorre a dominância de uma delas na seguinte proporção: 50% + 25% + 25% = 100%.
 
240. Na linguagem comum ou vulgar não ocorre um fixação segura do que se deva entender por cinzento, gris e pardo; nem mesmo os autores de livros se manifestam definidos.
Em qualquer acepção que se dê a estas denominações, importa que elas exprimam um instante de equilíbrio, quer se trate de cores, quer apenas de preto e branco.
 
Diz Simão Goldmann:
"Amarelo e violeta equilibram-se quando misturados em partes oticamente iguais, formando o cinza neutro" (Psicodinâmica das cores, I. P.261, 3-a ed.).
"O alaranjado... encontra equilíbrio na sua complementar, isto é, no azul... resultando da mistura de ambas, em partes iguais, o cinza" (Ibidem, 261),
"O vermelho... equilibra-se com o verde, dando origem também ao cinza neutro. E o branco e o preto nem necessitam de comentários. Branco, símbolo de inocência e pureza, misturado com preto, de imediato forma o cinza. O que é então o cinza neutro? Representa nesta série de considerações, o termo médio entre todas as cores" (Ibidem 161-162).
 
Agora Bamz:
"O preto misturado com branco produz o gris neutro, salvo exceções das que já falamos em outro lugar. Na prática não se obtém o gris neutro mesclando quantidades iguais de branco e preto, senão aumentando a proporção deste último. O gris de Payne é uma mescla de ocre, ultramar e preto de marfim por preto de fumaça (negro humo se designa um negro cálido: o de marfim é algo azulado" (Arte ciência da cor).
 
Silveira Bueno, em seu Dicionário:
"Pardo. De cor entre branco e preto, quase escuro; mulato; mestiço. Gris, cinzento-azulado; pardo; cinzento. Da cor de cinza".
 
Aurélio Buarque, no Médio Dicionário:
"Pardo, de cor entre o branco e o preto; quase escuro, de um branco sujo duvidoso, de cor pouco brilhante, entre o amarelo e o castanho; diz-se de qualquer dessas cores. Mulato".
 
Fundamentalmente só há dois gêneros de equilíbrio, ou de cores, e ou de preto e branco.
No caso das cores, ocorrem de novo especificações: Há tantas espécies de equilíbrio, quantas vezes for possível criar oposições complementares. Sistematicamente, os equilíbrios receberão os nomes dos termos equilibrados.
Desta sorte, introduz-se um sistema de variações pardas e que participam ligeiramente uma das três cores fundamentais.


 
241. O pardo, quando entendido como cor, resulta de uma composição de três cores fundamentais, dispostas, porém, complementarmente. Tomada uma cor e a sua respectiva complementar, esta segunda envolve sempre duas outras fundamentais; resulta, então, no instante de equilíbrio, a participação de três fundamentais.
É complementar de azul, isto é, sua oposta no círculo das cores, a cor laranja (mistura das outras duas cores fundamentais, amarelo e vermelho); a fusão azul e laranja, resulta em um pardo ou gris; esta fusão contém 50% de azul, 25% de vermelho e 25% de amarelo.
Vermelho possui a sua complementar em verde (fusão de amarelo e azul). Misturando vermelho e verde, obtém-se um equilíbrio.
Enfim, amarelo possui a complementar em violeta, resulta um gris.
 
Mais complexos se tornam os conjuntos complementares das cores secundárias, porque as mesmas secundárias já possuem duas fundamentais; em contrapartida, as complementares contém outras diferenças.
Por exemplo, a cor complementar de amarelo-verde (limão) é vermelho-azul (púrpura); limão possui duas cores, sendo dominante vermelho, insignificante azul; púrpura apresenta duas cores, sendo dominante vermelho, insignificante azul, das mescla peculiar, resulta um equilíbrio, ou seja um gris.
 
Já se observa que o pardo, como cor, é sempre uma cor terciária. Distingue-se das demais cores terciárias, porque o pardo mistura apenas aquelas cores que se dispõem como complementares, de sorte a se equilibrarem.
Como cor terciária e equilibrada, o gris ou o pardo, é encontradiço na natureza: nas madeiras, nas folhas secas, na pele humana.
Não fazendo contraste, harmoniza-se o pardo com todas as cores restantes. Por isso, a natureza oferece um panorama notoriamente harmônico.
Sendo os pardos de pouca luz, acalmam o ambiente; ao terem domínio, não oferecem suficiente ocupação à vista, razão porque os pardos apenas se prestam para exercerem em combinação com as demais cores do palco da natureza.
 
É possível distinguir entre pardos quentes, com notório predomínio do vermelho e laranja, e pardos frios ou pálidos, em que se manifesta um tanto mais o azul. E este último particularmente, se diz cinzento, na voz popular.


 
242. Arrolam-se diferentes pardos, de nomes consagrados:
 
Pardo-amadou (referência a uma substância esponjosa vegetal); confere com o pardo do chocolate. Rico. Avermelhado.
Pardo-castanho. Amarelado, intenso, rico.
Pardo-couro (referência ao couro curtido). Tons de vermelho.
Pardo-dourado. Amarelado.
Pardo-inca (referência à pele), intenso, escuro.
Pardo-índio (referência à pele). Amarelo avermelhado. Intenso.
Pardo-marte. Óxido de ferro precipitado. Com muito resistente.
Pardo-moreno, amarelo, intenso.
Pardo-oliva. Amarelo dourado, com elementos oliva.
Pardo-outono (referência à natureza do outono). Tendência para o vermelho.
Pardo-Rubens (referência ao pintor Rubens, da escola flamenga e que deu uma variedade ao quadro de Van Dyck).
Pardo-Van-Dyck (referência ao pintor flamengo Van Dyck), neutro, rico, adusto, levemente escuro.
Pardo-Verona. Esverdeado e adusto.
Pardo-zulu, esverdeado.
Caput-mortuum-escuro; colcotar ou peróxido de ferro. Pardo azulado. Produz tintas azuladas bonitas, cheias de luz, na mistura com azuis e branco.
Terras de sombra, óxido de ferro. Usa-se geralmente em combinações, raras vezes isolante.
Asfalto (referência ao betume, um hidrocarboneto), mistura-se com óleo, para veladuras.


 
243. As modalidades de grises, resultantes do equilíbrio entre preto e branco, se obtém pelo acréscimo de tons tomados a alguma outra tinta.
Haveria um gris puro (preto e branco, simplesmente misturados) e grises ligeiramente coloridos, respectivamente de azul, vermelho, amarelo, etc.
 
São conhecidas as variedades de grises, com denominações próprias:
 
Gris de aço (matiz azul).
Gris de águia (gris de matiz azul escuro da pela da águia viva).
Gris Ardoise (referência à ardósia xisto).
Gris de cadete (azulado).
Gris francês (tendência violácea suave).
Gris de gaivota (gris suave da gaivota).
Gris de ferro (escuro pardo).
Gris-ostra ( gris-huitre, em francês), (pardoso).
Gris-orange (referência às nuvens escuras antes da tempestade).
Gris-pomba (gris azul).
Gris de Payne (resultante da mescla; ultramar, ocre e preto).
Gris de Prata (azul pálido).
Gris Souris (referência à pele de rato da campina).
Gris Toupeira (pardo da pele da toupeira).
 
Continua a haver outras grises, com denominações específicas:
Areia (gris amarelado claro, quente).
Cinza (gris pálido, com tendência para o neutro denso).
Maltês (referência ao gato maltês, gris azul).
Negro piçarra (gris muito escuro e apagado).
Névoa, nevoeiro, neblina (gris claro, suave).
Níquel (gris pálido e lustroso).
Nugrey (gris azul violáceo).
Rola (gris amarelado médio).
Cinza Claro 50% de luminosidade.
Cinza Neutro 31% de luminosidade

 

 

 

§9. Branco e preto, e suas variantes.
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246. Define-se o branco como cor neutra, enquanto soma de todas elas. Em tais condições se acha também o preto, ou o cinza.
Entre os neutros, distingue-se o branco como sendo o neutro mais claro. A luz apresenta-se mais brilhante que o branco dos objetos e das tintas; neste contraste, o branco aparenta sinais de gris. Dentre as cores, o amarelo pálido é o que mantém maior número de afinidades com o branco; aproxima-se.
O branco gera comportamentos peculiares a que o pintor fica atento.


 
247. As variedades do branco se criam pela introdução de algum outro elemento no mesmo. Podem ocorrer na direção do cinza, como ainda na direção de alguma cor.
Branco de Óxido de Magnésio 98% de luminosidade.
Branco de Papel, 95% de luminosidade.
Pérola, 84% de luminosidade.
Marfim, 84% de luminosidade.
Alumínio, 83% de luminosidade.
Branco-Gelo, 79% de luminosidade.
Branco de Barita, (referência ao sulfato de bário natural, que se encontra com veios, de coloração branca, rosa ou esverdeada, e que serve para a fabricação de tintas brancas). É um branco pesado.
Branco de Zinco (de óxido de zinco). Como cobre pouco e é transparente, semelhante é o branco da China.
Branco de prata, é um cromato de chumbo, análogo ao branco de zinco.
Branco de chumbo ou cerusa (cromato de chumbo). Como tinta cobre bem, assumindo aspecto opaco. Enegrece as tintas, deteriorando-as, quando bem mistura com sulfuretos e compostos de cádmio. Cerusa é o nome antigo de branco de chumbo. Alvaiade é o nome comercial dum carbonato básico de chumbo, com destino à fabricação de tintas à óleo, com o qual é misturada. Sua toxicidade o vai fazendo ser substituído por outros pigmentos brancos, por exemplo de zinco (alvaiade de zinco).
Branco Tintânio (referência ao elemento químico deste nome, de cor argentina). Sua tinta é opaca no cobrir e refrativa.
Gesso (referência a um produto obtido pela calcinação da gipsita e que volta a hidratar-se solidificando-se, servindo para modelagens). É um branco apagado.
Além disto, estão próximos do branco os amarelos claros, por exemplo amarelo creme.


 
248. O preto, por definição, é a ausência da luz e de cores. Resulta o preto nos corpos pela absorção por parte de todos os raios luminosos, sem refletir nenhum.
Misturada a tinta negra nas demais cores, tende a apagá-las. Faz perder sua pureza e brilho.
Negro do latim niger, é o nome da raça de cor preta, e nesta condição é palavra conotativa, inclusive quando significa cor. A negritude é provocada pela melanina (do grego mélas = preto), substancia protetora, que a pele produz em baixa quantidade nos indivíduos bronzeados e em grande quantidade nos mais escuros.


 
249. A mescla de elementos, introduz variantes no preto, quer na direção do cinzento, quer na de alguma cor. São mais conhecidos:
 
Preto de carvão, um negro profundo e aveludado.
Preto de osso, um preto pardoso.
Preto de fumaça, um preto pardacento amarelo escuro (bistre).
Preto marfim, de marfim calcinado. Levemente azul.
Preto piçarra, de ardósia. Um gris escuro apagado.
Preto de vinha, azulado.
 
250. Conclui-se a respeito das espécies de cores que elas se ordenam em quadro sofisticado, que, embora não se revele imediatamente de compreensão clara, desperta admiração. Fundamentalmente três categorias, estas agem com a volúpia das mais diversas miscigenações.

 

 


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