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Professor 
Evaldo Pauli.
 
E-Mail 

  aldrinspeck@gmail.com

 
 Professor de Filosofia, 
na UFSC - Univ. Federal de Santa Catarina, 1955-1985, 
na UNIVALI - Univ. do Vale do Itajaí, em Itajaí-SC, 1970-1977. 
na AIS - Academia Internacional de Ciências San Marino, Europa.
 
Membro:
do Instituto Histórico e Geográfico de SC, 
da Academia Catarinense de Letras, 
da Academia Brasileira de Filosofia.
 
Membro fundador da
Associação Catarinense de Esperanto. 
Membro da Liga Brasileira de Esperanto. 
Presidente da Fundação Cultural Simpozio.
Delegado da Universala Esperanto Asocio
com sede na Holanda. 
 

EVALDO PAULI

F I L O S O F I A   D O   D I A   A   D I A

(1-a impressão do livro, em 22-2-1995. Primeiro Leitor: Paschoal Apóstolo Pítsica).
" Autobiografia do Autor "

INTRODUÇÃO.
 
I- EM BUSCA DO SABER.
 
II- UMA EXPERIÊNCIA CLERICAL.
 
III- CENÁRIOS DE MINHA VIDA.
 
IV- COMO ESCREVI MEUS LIVROS.


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INTRODUÇÃO
 
1. Esta autobiografia começou a nascer, no dia em que decidi destruir meu Diário. Ao proceder a destruição dos seus primeiros dois volumes, em inícios de 1968, portanto 27 anos após o haver iniciado, extraí preliminarmente as informações mais características da primeira fase de minha vida. Excluí aquelas que não passavam de simples episódios, conservando aquelas que diziam respeito a minha vontade de saber, liberdade de ser e decisão de escrever.
 
Tinha então, naquele inicio de 1968, a idade de 42 anos, e me encontrava na especial de circunstância de me haver pouco antes desligado das tarefas eclesiásticas, para ser apenas um inteletual. Havia-me tornado clérigo em 4 de dezembro de l949 e professor de filosofia em 10 de abril de 1955, vinha como que fazendo a tração de dois barcos, o do serviço religioso e o trabalho inteletual.
Súbito liberado para o que era de minha aspiração, passei a uma revisão total de tudo o que possuía em termos de projetos literários. Também reli o Diário, conscientizando-me profundamente do que eu fora até então, para determinar mais claramente o que queria ser a partir de então. Destruíndo os dois primeiros volumes de Diário, os quais traziam o passado, como uma espécie de tapete atrás de mim, passei a um novo tempo, para o qual abri também um outro volume.
 
Mas não destrui os primeiros volumes insensatamente. Antes de o fazer, tomei o cuidado de os reler primeiramente, anotando as informações de interesse, algumas literalmente. Em outras palavras, redigi já então, os pródromos do que viria a fazer depois. Iniciei, com estas notas, em 28 de novembro de 1994, o presente ensaio autobiográfico FILOSOFIA DO DIA A DIA, com a intenção de ter a redação pronta quando atingisse 70 anos, em 24 de fevereiro de 1995. Dali resultou um livro quase filosófico, dividido em 4 partes.
Exponho a seguir o resumo das quatro partes, e por último apresento alguns tópicos da primeira, fazendo referência ao meu nascimento e ao Colégio que então frequentei.

 

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I - EM BUSCA DO SABER.
Nesta parte destaco os primeiros 25 anos de vida, com algumas antecipações sobre como prosseguiria depois.
 
Neste quadro de assuntos me refiro primeiramente à infância, a seguir às primeiras letras (escola), curso secundário (seminário menor, em Brusque, SC), curso superior de Filosofia e Teologia (seminário maior, em São Leopoldo, RS).

 
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II - UMA EXPERIÊNCIA CLERICAL E ECLESIAL DE 17 ANOS (1950-1967).
 
Nesta parte me refiro ao meu primeiro principal ofício, o religioso, para o qual as circunstâncias me haviam impelido.
Sempre fui um homem profundamente religioso, e não poderia deixar de o ser, porquanto a religião é uma visão total da realidade, e esta o filósofo nunca a deixa de ter.
Mas, como ali refiro, as circunstâncias feriram meu direito à liberdade de escolha do próprio estado, nem sempre respeitado, e direito ao pensamento crítico, o qual não me podia ser predeterminado, por quem quer que seja, nem pela família, nem por qualquer instância religiosa.
A experiência clerical diz respeito ao ofício como clérigo, enquanto que a experiência eclesial diz respeito ao grupo religioso como um todo fechado frente a outros credos.

 
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III - CENÁRIOS DE MINHA VIDA E GENTES QUE EU VI.
 
Agora a referência diz respeito ao espaço geográfico por mim alcançado em meu país e fora dele, e ainda ao espaço humano atingido por correspondência epistolar.
Esta parte do livro atende meu considerável interesse pela Geografia.
Finalmente destaca meu contato com os mais diversos povos, aplicando o uso prático da Lingua Internacional Esperanto, na Europa e nas três Américas.

 

 
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IV - COMO ESCREVI MEUS LIVROS.
 
Nesta última parte, que inclui o magistério, trato de minha tarefa principal, ensinar e escrever.
O título geral FILOSOFIA DO DIA A DIA, para designar minha autobiografia, começou a surgir em minha mente quando em 1983 escrevia a apresentação do primeiro número da FILOZOFIA REVUO SIMPOZIO, onde digo que a revista não somente tratará da filosofia de objetos considerados universalmente, como se costuma fazer na ciência, mas poderá também apreciar filosoficamente fatos concretos da vida, avaliando-os.
Recebi então uma carta da Suiça apreciando favoravelmente o meu modo de definir aqueles conceitos. Consequentemente a idéia passou a se firmar em minha mente, até que transitou para a função de título do presente livro, certamente inspirando-o.
 
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NASCIMENTO.
 
Em busca do saber, importa saber primeiro sobre o próprio nascimento. Para este fim informa a minha CERTIDÃO DE NASCIMENTO, que vim a luz, em uma noite escura. Foi as 22 horas, de 24 de fevereiro, de 1925.
 
Dali para trás, que me foi dito do passado que me precedeu? O passado não existe mais. Todavia dele dependemos de algum modo, geneticamente e culturalmente.
 
Sobre o passado cultural importam as tradições de família, umas mais capazes de transmitir padrões morais e disciplina para o trabalho, outras menos.
 
 
Pela linha paterna recebi um nome latino, ainda que procedente da Alemanha, onde este sobrenome, que significa "filho de Paulo" surgiu ao tempo da Renascença. A família Pauli se estabeleceu primeiramente na Colônia alemã de São Pedro de Alcântara, de onde parte dos descendentes brasileiros, entre eles meu avô Henrique reemigrou para alguns quilômetros mais para norte, hoje Município de Antônio Carlos.
 
Silvestre Henrique Pauli (*22-12-1899) (+7-12-1985) foi meu pai, teutobrasileiro de segunda geração, por sua vez filho de Henrique Pauli e Maria Madalena Berns.
 
Henrique Pauli (*1858), meu avô paterno, teutobrasileiro de primeira geração, foi filho de Michael Pauli (n. fev. 1817, Mosel, Alemanha + 1893) e sua segunda esposa Elisabeta Sabel; Maria Madalena Berns, respectivamente minha avó paterna, foi filha de Mathias Berns e Elisabetha Magdalena Voigt (esta vinda de Duesseldorf, Alemanha).
 
Michael Pauli (* fev. 1817, Mosela, Alemanha, vindo com 13 anos ao Brasil) (+ 1893), meu bisavô paterno já mencionado, foi filho de outro Michael Pauli (n. 1770, Mosel, Alemanha) e Ana Eva Kenzer (Kinzer?).
 
Michael Pauli (* 1770, Mosela, Alemanha, desembarcando em Florianópolis, então denominada Desterro), em 7 de novembro de 1828, instalando-se em 10 de novembro de 1828 em São Pedro de Alcântara, com dois filhos Michael e Catarina).
 
Aqui terminam as informações genealógicas de que disponho sobre a minha família Pauli, vinda do Mosela alemão. Sei que em São Leopoldo, RS, há a família Pauli, da mesma procedência do Mosela alemão, sobre cujo parentesco não tenho informações. Mas sei que ainda subsistem os arquivos arquivos alemães daquela região e que se referem a família Pauli. Quando ali passei, não tive oportunidade de consultá-los.
 
 
Pelo lado materno, a família Reitz veio mais tarde para o Brasil, em 1846, localizando-se em Santa Isabel, uma colônia alemã da Grande Florianópolis, mais adentrada no Continente que a de São Pedro de Alcântara, de onde reemigrou para a região hoje município de Antônio Carlos.
 
Clara Maria Reitz (*2-4-1902) (6-1-1983), foi minha mãe, brasileira de segunda geração, por sua vez filha de Nicolau Adão Reitz e Ana Wilwert.
 
Nicolau Adão Reitz (*1876), meu avô materno, foi filho de João Adão Reitz e Maria Reinert; Ana Wilwert, respectivamente minha avó materna, foi filha de Joseph Wilwert e Margarida Nau.
 
João Adão Reitz (* 1842, Hirschfeld, Alemanha, vindo ao Brasil com 4 anos) (+ 1940), meu bisavô materno (I) já mencionado, foi filho de Johan Reitz e Ana Catarina Klein; respectivamente, minha bisavó materna (I) Maria Reinert foi filha de Nicolau Reinert e de Maria S.
 
Johan Reitz (* 1799, Hirschfeld, Hunsrueck, Mosel, Alemanha, vindo ao Brasil), meu trisavô materno (I), foi filho de Philippus Reitz (* 1770, Alemanha) e de Ana Maria Friedrichs (Alemanha); Ana Catarina Klein (Alemanha), respectivamente minha bisavó materna.
 
Nicolau Reinert (Alemanha, vindo ao Brasil), meu trisavô materno (II) ...
 
Joseph Wilwert, meu bisavô materno (III), filho de Valentin Wilvert e Margarida Nau.
 
Valentin Wilwert (Luxemburgo, vindo ao Brasil), meu trisavô materno (III). Tereza Mayer (Luxemburgo, vinda ao Brasil), minha trisavó (III) ...
 
Mathias Nau (Suiça, vindo ao Brasil), meu trisavô materno (IV), filho de Johann Nau (Suiça) e Catarina Jochen (Suiça). Catarina Jochen (Alemanha, vinda ao Brasil), respectivente minha trisavó (IV), filha de Mathias Jochen (Alemanha) e Isabel Metzer).
 
Em resumo, sou descendente de alemães de três procedências: Alemanha principalmente, de Luxemburgo, da Suiça. A ligação com Luxemburgo e Suiça se faz pelo lado materno. A miscigenação se deu, todavia, no Brasil.
 
Com referência a Alemanha, quando de lá procederam meus antepassados, não estava ainda unificada, e eram dos Estados do Reno (que contrastam com os Estados Saxônicos). O dialeto falado era do grupo chamado Alto Alemão (Hoch Deutsch) e não do antigo, falado pelos renanos vestfalianos.
 
O dialeto germânico que herdei se identifica com a linguagem do HUNSRUECK (nome derivado de HOHER RUECKEN, equivalente a Lombadas Altas), região ao sul do Mosela. Pertence ao grupo linguístico chamado Alto Alemão (HOCH DEUTSCH), distinto do antigo alemão, como o vestfálico e seus afins flamengo e inglês. A lingua portuguesa foi paulatinamente aprendida pelos descendentes alemães do Grande Florianópolis dada a proximidade com as populações lusas da região, e ainda que estes descendentes se expandeiram para dentro da região lusa, adquirindo suas terras.
 
Meu lugar de nascimento foi em Farias (nome da localidade e do respectivo rio), onde meus pais tiveram sua primeira propriedade. Este Farias era próximo de Louro, onde pouco depois se criaria o Distrito de Louro. Este distrito transferido para Antônio Carlos, que de futuro será município. Por esta razão, sou dito como havendo nascido em Antônio Carlos (na Grande Florianópolis).
 
A propriedade agropecuária de meus pais em Farias (a qual foi conservada por alguns anos, mesmo depois de haverem saído dali) situava-se próxima de um rio, que ali perto cai em belo salto. O rumor de águas (mais forte quando chove) eu o devia estar ouvindo no momento quando nasci, do qual entretanto não conservei a lembrança. Quando mais tarde voltei ao lugar onde nascera e de onde houvera saído com pouco mais de um ano, sem ter podido conservar dele nenhuma lembrança consciente, achei contudo que as houvera conservado ao menos no subconsciente, e que entre estas estaria aquele rumor de águas. Fora, pois, este o quadro romântico do mundo no qual eu entrara naquele ano santo de 1925.
 
Lembrei-me de dizer "ano santo", porque no contexto da crença cristã assim o fora declarado, recebendo bênçãos especiais os que então visitassem Roma. O Reitor do Seminário, Bernardo Peters, ao me perguntar certa vez (em 1940, ao fazer meus 15 anos), a respeito do ano em que eu nascera e lhe havendo dito, que em 1925, exclamou:
No Ano Santo! Nasceu exatamente quando eu (isto é, ele), embarcava para Roma! Isto significa que o Evaldo está destinado a ser grandes coisas!
 
Mas as grandes coisas em que o Reitor profeta pensava, poderiam não ser as que eu aspirava. Ser grande diante dos homens, não é o mesmo que ser grande diante de si mesmo!
 
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 NO COLÉGIO CORAÇÃO DE JESUS, 1935.
 
Na época o cura da Catedral de Florianópolis, residia à rua Vidal Ramos, dita então 28 de Setembro (referência da Constituição Estadual). O casarão ali existente era a antiga Casa Paroquial, que fora conhecida pelos pobres como sendo a Casa do Padre Topp (santo homem falecido em 1924).
Ali passei a segunda metade do ano de 1935, quando meu tio era Cura da Catedral, na qual eu tinha a função de Ajudante de Missa.
Por iniciativa própria cultivei muitas flores no quintal de fundo, e que depois eram aproveitadas para enfeitar a Catedral. Isto me lembrava minha mãe, a qual eu ajudava no cultivo de flores, que ela aos sábados levava para a Igreja da localidade de Antônio Carlos. Hoje no lugar da antiga Casa do Padre Topp está um alto edifício, que me continua recordando os tempos idos de minhas flores, tão belas quanto os bons sentimentos de minha mãe.
 
Quando fui levado a primeira vez ao Colégio Coração de Jesús de propriedade (das irmãs da Divina Providência), marquei bem as ruas e a Praça Pereira Oliveira, para ter o caminho certo e seguro, quando devesse seguir por minha conta.
 
Na sala de visitas, a Irmã Diretora me testou, mandando-me ler um trecho do Evangelho, e fiquei confirmado para ser integrado na turma do segundo ano, da turma dos meninos, que então era apenas de 14, enquanto que as classes das meninas eram plenas e numerosas. Fiquei como semi-interno; isto significava que almoçava no mesmo Colégio.
 
O Colégio, ainda que mixto, separava as classes por sexo. Mas, o que mesmo me intrigava era o fato de os meninos serem soltos da escola meia hora depois das meninas.
 
Certa vez as mocinhas do então chamado Curso Normal, com sala de aula ao lado da dos meninos, programaram um passeio a pé para a chácara do Colégio na Trindade, distante 5 quilômetros, onde havia uma gruta de N. Sra. de Lourdes. As mocinhas convidaram a nossa classe de meninos para seguirmos juntos. O que na verdade aconteceu, foi que as ditas mocinhas nos pediram que carregássemos suas bolsas, o que fizemos contudo com gentileza.
 
O que me apavorava era o uniforme de gala do Colégio, usado em festas, desfiles, missas de primeira sexta feira do mês. O que verdadeiramente mais horrorizava era a boina branca, por ser igual a das meninas e moças. Inversamente, o uniforme feminino tinha uma gravata. Eu podia aceitar que o mundo feminino imitasse a gravata masculina, mas isto de eu menino ter de usar uma boina, que eu interpretava ser feminina, não entrava sem conflito na minha cabeça. Quando me diziam que era bonitinha, tanto mais a repudiava, pondo-a de lado assim que a obrigação terminava.
 
Por ter chegado ao fim do ano de 1935 na condição de primeiro da classe, fui chamado ao palco, do mesmo mesmo que os primeiros das demais classes, em que dominavam as de moças e meninas. Além disto, os prêmios femininos eram mais ostentosos.
 
Como houvesse recebido meu prêmio envolvido em pacotinho do tamanho de uma banana recheada, a semelhança de como esta então era vendida, pensei que o referido meu prêmio fosse apenas aquilo, e o escondi no bolso. Ao ser logo indagado por um meu colega sentado ao meu lado, qual era meu prêmio, disse-lhe agastado: - Uma banana recheada! Meu colega insistiu, e, depois de aberto o pequeno embrulho, dele surgiram as cores vermelhas de uma pequenina estatueta dentro da redoma de vidro. No meu íntimo senti diminuir o vexame. Ao chegar de volta aos meus colegas de Antônio Carlos, e mostrando meu prêmio, ninguém se encantou por ele.
 
Entretanto, não esqueci que a festa das notas finais e formatura das alunas finalistas se apresentara pomposa. Dizia-se que no palco estava o Governador Nereu Ramos; mas este particular para mim não representava nada naqueles meus dias de pouca idade, e nem sequer tenho certeza que se tratasse do político, que desde aquele ano fizera carreira destacada, pois chegaria a Presidente da República, ainda que só por três meses.
 
Parece-me que fiquei curado do mal de querer tirar o primeiro lugar em minha turma. Se em algumas raras ocasiões repetiria de futuro a proeza, fora apenas por acaso. Não fora por falta de inteligência, nem por falta de estudo, nem mesmo por superstição.
 
Eu era dominado por uma forte curiosidade mental, a qual me levava aos mais variados estudos não previstos no programa. Ao chegar o período de exames sentia forte resistência mental em voltar atrás, a fim de me concentrar exclusivamente aos temas propostos pelo  programa.
Obtinha notas certamente excelentes na maioria das disciplinas, sobretudo quando correspondiam às minhas preferências e não tenham apresentado divergência com as opiniões defendidas por alguns professores opiniosos. Lembro-me bem disto, porque a pior nota obtida por mim, ao tempo que fora aluno de filosofia, foi quando defendi em exame oral (em latim), uma opinião contrária ao do professor, um suiço escrupuloso. Mas ele me queria bem, temendo contudo que um dia eu fosse um hereje, candidato ao Inferno.
 
Alguns estudantes são apenas sábios de um só livro, o do professor; estes alunos de um só livro, ainda que não saibam muito, conquistam com frequência boas notas e o primeiro lugar. Tive um destes colegas de tirar o primeiro lugar, que chegou a levantar durante a noite, para invadir o gabinete de um professor, ali obtendo os pontos já definidos para o exame. Pudera!
 
Aprendi a ter a maior admiração pelas Irmãs da Divina Providência, quando fui aluno de seu mais importante colégio em Florianópolis.
 
Minha professora foi uma irmã de nome Juventina, muito dedicada e enérgica. Soube posteriormente que ela deixara a Congregação, como aliás muitas outras irmãs, inclusive de parentas minhas.
 
Diversas vezes me deu atenção Madre Benvenuta. Anos mais tarde, - ao constatar eu que estava sem denominação uma larga rua do Bairro de Trindade, onde se situava a chácara das irmãs da sua Congregação, e onde eu fizera, como aluno, um passeio, - sugeri a um vereador da cidade, que apresentasse uma indicação na Câmara, para que se desse o nome da referida Madre, e assim aconteceu.
 
Quando do Centenário do Colégio Coração de Jesus, em 1996, lá compareci. Em um livro publicado por Regina Boppré sobre o referido Colégio centenário, aparece uma fotografia minha, ostentando o então uniforme escolar.
 
Quando estive em Muenster, na Alemanha, tive especial interesse em visitar o Colégio das Irmãs da Divina Providência, de onde  procederam no final do século dezenove as primeiras irmãs daqui.

 


Este foi um resumo da parte inicial da autobiografia
"FILOSOFIA DO DIA A DIA",
de autoria do Prof. Evaldo Pauli.

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